SÃO JOSÉ DOS CAMPOS — A Embraer avalia abrir uma linha de produção de jatos comerciais na Índia em parceria com o grupo Adani. A decisão dependeria de um pedido mínimo garantido de pelo menos 200 aeronaves. A empresa também disputa o fornecimento de 60 a 80 unidades do KC-390 e estuda levar o E175 ao mercado civil indiano.
A fabricante enfrenta, ao mesmo tempo, limitações para acelerar a produção. A capacidade instalada permite montar de 100 a 105 jatos comerciais por ano, mas atrasos no fornecimento, principalmente de motores, devem restringir as entregas a 80 ou 85 unidades em 2026. Também faltam componentes eletrônicos, peças forjadas e fundidas de alta temperatura e mão de obra qualificada.
Pedidos e novos mercados
A carteira de pedidos firmes chegou a US$ 34,5 bilhões em julho, no sétimo trimestre consecutivo de crescimento recorde. Na área de Defesa e Segurança, o volume alcançou US$ 6,1 bilhões, alta de 42% em relação ao segundo trimestre de 2025.
A Colômbia comprou duas unidades do KC-390 e se tornou o 13º país a selecionar o cargueiro. A Embraer também tem contrato firme para vender dez aeronaves aos Emirados Árabes Unidos. Analistas do BTG Pactual e da XP Investimentos estimam que o preço fique entre US$ 170 milhões e US$ 190 milhões por unidade.
Na aviação executiva e em outros segmentos, a companhia busca ampliar a presença. A subsidiária Eve Air Mobility realizou, no início de agosto, o primeiro voo de um protótipo de eVTOL com transição entre os modos vertical e horizontal.
Marca na aviação comercial
No início de setembro, a Embraer entregou à Azul o 2.000º E-Jet, um E195-E2. Com isso, a família passou a integrar o grupo das três mais vendidas da aviação global, atrás das famílias A320, da Airbus, e 737, da Boeing.
Em operação desde 2004, os E-Jets estão presentes em mais de 90 companhias aéreas de cerca de 60 países e já transportaram mais de 2,8 bilhões de passageiros. Arjan Meijer, presidente e CEO da Embraer, classificou a entrega como “um marco extraordinário para a Embraer e para a indústria global de transporte aéreo”.
A família de aeronaves também superou o CRJ, da Bombardier, em número de unidades entregues. Na América do Norte, o E175 é o único jato da categoria ainda produzido que atende às restrições das cláusulas trabalhistas dos pilotos das companhias aéreas americanas.
Pressão sobre custos e produção
As entregas da empresa devem passar de 141 aviões em 2021 para 255 unidades ao final de 2026, segundo estimativa própria. O avanço ocorre enquanto Airbus e Boeing enfrentam dificuldades na cadeia de fornecimento, com espera de oito a dez anos por jatos de corredor único de grande porte. Os modelos E2 podem ser entregues em menos de dois anos.
A Embraer ainda administra cerca de 50 contratos legados de baixa margem assinados durante a pandemia. A companhia também lida com custos maiores de materiais, oscilações nos preços do combustível de aviação e necessidade de recorrer ao mercado financeiro para financiar vendas.
A empresa considera desenvolver um jato comercial de corredor único capaz de transportar até 220 passageiros, em concorrência direta com Airbus e Boeing. O projeto é estimado em US$ 10 bilhões pelo UBS. Guillaume Faury, CEO da Airbus, disse que a Embraer deveria “pensar duas vezes” antes de romper o duopólio. Francisco Gomes Neto, presidente da fabricante brasileira, afirmou que a empresa está “muito confortável com a situação atual”.








