O Japão planeja investir cerca de 70 bilhões de dólares na Índia nos próximos dez anos, em uma estratégia para diversificar cadeias de suprimentos e ampliar a segurança econômica. A iniciativa foi reforçada com a visita da maior delegação comercial indiana já recebida pelo país.
A aproximação busca reduzir o chamado “Risco China” sem substituir completamente o mercado chinês. Japão e Índia pretendem criar alternativas para setores sensíveis e diminuir a possibilidade de que interrupções no fornecimento de produtos essenciais se transformem em crises de segurança nacional.
A Índia ganhou importância para o capital japonês em meio ao crescimento de sua economia, que supera 6% ao ano, enquanto a China enfrenta desaceleração e problemas no setor imobiliário.
Tecnologia e minerais críticos
Semicondutores, inteligência artificial e minerais críticos estão entre as prioridades da parceria. O Japão contribui com experiência na fabricação de equipamentos e materiais usados na produção de eletrônicos. A Índia oferece capacidade em engenharia e design, além de um grande mercado consumidor.
As fabricantes Renesas e Tokyo Electron já desenvolvem parcerias com empresas indianas para formar uma indústria local de montagem, testes e fabricação de componentes. Os dois governos também planejam criar polos regionais de packaging e equipamentos.
Japão e Índia ainda dependem da China para obter parte significativa dos insumos farmacêuticos e dos minerais usados em tecnologias avançadas. Como resposta, o governo indiano mapeia e explora depósitos em seu território, enquanto o Japão transfere tecnologia e envia especialistas.
Incentivos e infraestrutura
A Índia oferece uma população jovem, incentivos fiscais e o Programa PLI (Incentivo Ligado à Produção), que concede subsídios para setores estratégicos. A política já atraiu empresas como a Apple e passou a chamar a atenção de companhias japonesas.
A infraestrutura também integra a cooperação. Com ajuda japonesa, a Índia constrói seu primeiro trem-bala, que ligará Mumbai a Ahmedabad. A relação entre os dois países começou de forma gradual nos anos 80.








