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UE prepara resposta emergencial para fluxos migratórios usados para pressionar fronteiras

Mecanismo permitirá medidas temporárias em crises migratórias, com critérios definidos e respeito aos direitos fundamentais do bloco.

UE prepara resposta emergencial para fluxos migratórios usados para pressionar fronteiras

A União Europeia prepara um mecanismo de emergência para permitir que os países do bloco adotem medidas excepcionais diante de fluxos migratórios em massa usados para pressionar ou desestabilizar fronteiras. A proposta foi anunciada nesta quarta-feira (16) por Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, durante o discurso anual sobre o Estado da União, em Estrasburgo.

O instrumento, chamado de Quadro Europeu de Resposta de Emergência, só poderá ser acionado com base em critérios previamente definidos. A proposta prevê a flexibilização temporária de alguns procedimentos aplicados nas fronteiras, mas a Comissão Europeia ainda não informou quais regras poderão ser modificadas.

Von der Leyen disse que as medidas deverão respeitar os direitos fundamentais e as obrigações da União Europeia. Segundo ela, o mecanismo dará aos países maior margem de ação para controlar situações excepcionais nas fronteiras.

A legislação europeia classifica como instrumentalização da imigração os casos em que um país de fora da UE ou um ator hostil facilita deliberadamente a chegada de estrangeiros às fronteiras do bloco para desestabilizar um Estado-membro ou comprometer funções como a segurança nacional e a ordem pública.

Belarus e a crise em Ceuta

A União Europeia acusa o regime de Belarus de organizar, a partir de 2021, voos e deslocamentos internos de migrantes em direção às fronteiras da Lituânia, Letônia e Polônia. O bloco considera a prática uma ameaça híbrida e aplicou sanções contra pessoas e entidades apontadas como responsáveis.

A proposta também foi apresentada após a crise em Ceuta, território espanhol no norte da África que faz fronteira com o Marrocos. Cerca de 70 mil imigrantes vindos do país vizinho entraram no território em 30 de julho. Mais de 90% retornaram ao Marrocos três dias depois, segundo o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez.

O episódio levou a Espanha a reforçar a fronteira e provocou medidas de controle entre países europeus. A Itália restabeleceu verificações sobre viajantes procedentes da Espanha, alegando riscos à segurança e possível deslocamento de imigrantes pelo Espaço Schengen. Madri adotou verificações sobre viajantes vindos da Itália, e os dois governos prorrogaram as medidas neste mês.

Partidos espanhóis acusaram o Marrocos de facilitar a passagem, mas o governo marroquino negou. Sánchez afirmou que não havia evidências concretas de que Rabat tivesse organizado o fluxo, embora tenha dito que as forças marroquinas não impediram as travessias durante um período crítico.

O mecanismo será incorporado ao Pacto sobre Migração e Asilo, cujas novas regras começaram a ser aplicadas em junho. O pacto já prevê procedimentos acelerados de asilo e deportação, reforço da Frontex, financiamento emergencial e medidas para casos de instrumentalização da imigração.

Von der Leyen também anunciou o reforço da Frontex, a aceleração de deportações de estrangeiros sem direito de permanência e a ampliação de sistemas de alerta antecipado e da cooperação com países de origem e trânsito dos imigrantes. A Comissão Europeia informou que as entradas irregulares na UE caíram cerca de 55% nos últimos dois anos.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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