MOSCOU — A Justiça da Rússia condenou nesta quinta-feira (8) Elena Perepelitsa, de 60 anos, a quatro anos de prisão por doar dinheiro à Fundação Anticorrupção (FBK), criada pelo opositor russo Alexei Navalny. A decisão foi anunciada pelo Tribunal Simonovsky, em Moscou.
Perepelitsa integra o partido de oposição Yabloko. A Justiça considerou que ela financiou uma organização classificada como “extremista” pelo regime de Vladimir Putin. A fundação foi proibida pela Justiça russa em 2021, após ser acusada de “atividades extremistas”.
Doações e condenação
Segundo a acusação, Perepelitsa fez sete transferências de 500 rublos cada entre agosto de 2021 e fevereiro de 2022. O total foi de 3.500 rublos, equivalente a aproximadamente US$ 41.
Durante o julgamento, ela confirmou as transferências, mas negou a intenção de financiar “atividades extremistas”. A defesa afirmou que os pagamentos não tinham como objetivo apoiar atividades ilegais. Além da prisão, a Justiça determinou o confisco do dinheiro doado e de um telefone celular.
Perepelitsa foi detida em 2 de julho deste ano. Ela faz parte do Yabloko desde 2017 e participou de comissões eleitorais em Moscou. O partido se opõe à guerra de Putin contra a Ucrânia e criticou a prisão, afirmando que as doações usadas no processo haviam sido feitas no passado.
A condenação ocorreu durante o aumento da pressão das autoridades russas contra o Yabloko. Em junho, o vice-presidente do partido, Maxim Kruglov, recebeu sete anos de prisão por acusações de divulgar “informações falsas” sobre as Forças Armadas russas. Em agosto, Lev Shlosberg, outro dirigente da legenda, foi condenado a mais de 11 anos por acusações relacionadas às críticas à guerra na Ucrânia.
Ainda em agosto, a Suprema Corte russa proibiu o Yabloko de disputar as eleições parlamentares realizadas em setembro. Com a sentença de Perepelitsa, três integrantes do partido foram condenados à prisão em menos de quatro meses.
A Fundação Anticorrupção ficou conhecida por divulgar investigações sobre suspeitas de corrupção envolvendo autoridades russas, incluindo pessoas próximas a Putin. Desde que foi classificada como “extremista”, a organização passou a ser alvo de processos contra doadores. Um levantamento divulgado nesta quinta-feira apontou que pelo menos 219 pessoas já foram condenadas em casos relacionados a contribuições para a fundação.








