A Polícia Federal investiga um possível esquema de favorecimento a empresas dos setores imobiliário e da construção civil do Rio de Janeiro por meio de decisões judiciais. O principal alvo é o desembargador Alexandre Eduardo Scisinio, por atos que teriam ocorrido quando ele era juiz de primeira instância em Niterói.
A Operação Em Nome do Pai cumpre seis mandados de busca e apreensão em Icaraí. As ordens foram expedidas pelo ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Além de Scisinio, são investigados a esposa, os dois filhos, uma cunhada e uma advogada. O magistrado chegou ao cargo de desembargador em 2021.
Segundo a PF, decisões judiciais teriam beneficiado empresas em troca de vantagens destinadas à família de Scisinio. A corporação apura a extensão do possível esquema e a participação de cada investigado. As suspeitas envolvem imóveis, descontos comerciais excepcionais, pagamentos indiretos e o uso de pessoas e empresas ligadas aos investigados.
Em um endereço relacionado a um dos filhos do magistrado, os agentes apreenderam R$ 27 mil em dinheiro vivo. A investigação começou após informações encaminhadas pela Corregedoria-Geral do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), que havia aberto um procedimento administrativo para apurar a conduta de Scisinio.
A Polícia Federal afirma que os atos de corrupção investigados teriam ocorrido quando o magistrado ainda atuava na 1ª instância. Possíveis práticas de lavagem de dinheiro, porém, teriam continuado depois, o que permitiu a realização das buscas após a promoção dele ao tribunal.
O TJRJ informou que não se pronunciará sobre a operação. A defesa do magistrado não foi localizada. A apuração envolve possíveis crimes de organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro.








