BRASÍLIA — O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou à Polícia Federal que foi surpreendido pela liquidação da instituição enquanto ainda buscava uma solução privada para o banco. Ele prestou depoimento por videoconferência, diretamente da Papudinha, onde está preso, em 28 de agosto, no âmbito da operação Compliance Zero.
A oitiva durou cerca de 4 horas. Vorcaro demonstrou interesse em firmar um acordo de colaboração com a Polícia Federal e disse ter informações que ultrapassariam o escopo atual das investigações. Segundo ele, propostas anteriores de delação premiada foram rejeitadas pela PF e pela Procuradoria Geral da República.
Prisão e liquidação
Vorcaro relatou que esperava o avanço de negociações com investidores privados depois que o Banco Central vetou a operação entre o Master e o BRB. Questionado sobre quando percebeu que a liquidação poderia ocorrer, respondeu que foi quando “estava atrás das grades”.
O banqueiro afirmou que o desfecho ocorreu de forma inesperada em 17 de novembro de 2025, data em que foi preso pela primeira vez. Naquele dia, foi anunciada a venda do Master para a Fictor e um grupo de investidores dos Emirados Árabes Unidos. Pouco depois, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do banco.
“Naquele momento, eu descobri, no momento que fui preso, que a minha solução não seria nem apreciada e que o banco seria liquidado”, declarou Vorcaro.
Relato sobre o Banco Central
No depoimento, Vorcaro afirmou que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, incentivou a fusão do Master com o BRB. Ele também citou o diretor Paulo Sérgio Neves de Sousa e o diretor Ailton de Aquino, dizendo que a postura favorável à operação partia da cúpula da instituição.
Segundo o ex-banqueiro, as reuniões realizadas depois do pedido de fusão tinham como objetivo organizar os pontos necessários para que a operação pudesse ser aprovada. O Banco Central, porém, rejeitou a fusão em 3 de setembro de 2025, após meses de negociações. Mesmo sem a conclusão do negócio, o BRB adquiriu ao menos R$ 12 bilhões em ativos do Master.
A defesa de Paulo Sérgio Neves de Souza afirmou que ele era favorável a uma solução de mercado, especialmente após o interesse do BTG, e que a alternativa do BRB foi apoiada pela diretoria do Banco Central para evitar a liquidação do Master. A defesa disse ainda que a oitiva dele permanece sob sigilo.
A defesa de Vorcaro informou que não se manifestaria sobre os fatos relatados. Gabriel Galípolo, Ailton Aquino e a assessoria do Banco Central foram procurados, mas não responderam.








