Terça-feira, 8 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,13 · Euro R$ 5,95 · Ibovespa 185.147 +0,00% Brasília 18°C 18° / 26°
Entretenimento

Luana Vitra leva disputa por terras raras à Pinacoteca

Instalação Bandeira Branca usa ferro, arco e flecha para abordar guerras, cobiça mineral e violência contra a terra.

Luana Vitra leva disputa por terras raras à Pinacoteca
Foto: Adriano Vizoni/Folhapress

A artista Luana Vitra apresenta Bandeira Branca na Pinacoteca do Estado de São Paulo, instalação que aborda o desejo, a violência e os massacres associados às guerras atuais. A obra ocupa o octógono do museu em uma parceria entre a Chanel e a instituição.

A instalação é formada por uma bandeira branca tensionada por um grande arco e flecha, apontado ao mesmo tempo para o céu e para a terra. O trabalho parte da disputa por metais de terras raras, insumos estratégicos para a indústria moderna e a transição energética.

Para Jochen Volz, diretor-geral da Pinacoteca, a força da obra está na relação entre o tema e a linguagem poética adotada pela artista. “O que torna seu trabalho especial é sua urgência no momento em que vivemos”, afirmou.

Ferro, corpo e ancestralidade

Vitra tem 31 anos, nasceu em Contagem e é bisneta de minerador. A cidade integra o Quadrilátero Ferrífero, região historicamente associada ao extrativismo mineral. O ferro se tornou o material central de sua produção depois que ela começou a estudar escultura.

A artista relaciona a matéria mineral ao corpo negro a partir de históricos de violência e cobiça. Entre os exemplos citados por ela estão a extração em massa do minério no período colonial e a galvanização, processo industrial que impede o minério de oxidar.

A formação de Vitra também inclui poesia, marcenaria, dança, moda e artes visuais. Dos 13 anos até a maioridade, ela estudou modalidades que iam do jazz ao balé clássico. Em 2014, iniciou a faculdade de moda. Mais tarde, as aulas de escultura mudaram o rumo de sua trajetória.

Trajetória internacional

A artista começou a circular pelo país com esculturas de ferro. Sua primeira mostra individual em São Paulo foi Três Guerras no Peito, no Centro Cultural São Paulo, há seis anos. Ela também participou de exposições coletivas no Instituto Moreira Salles e no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Em 2022, uma obra de Vitra entrou para o acervo da Pinacoteca. No ano seguinte, ela ganhou o prêmio Pipa e participou da 35ª Bienal de São Paulo com Pulmão da Mina, instalação sobre o uso de canários por africanos escravizados como alerta para gases tóxicos nas minas.

Vitra fez ainda uma residência de seis meses na África do Sul para estudar a miçangaria do povo zulu. De 2024 para cá, participou de bienais em Charjah, nos Emirados Árabes Unidos, e na Tailândia, além de realizar exposições individuais em Roterdã e Nova York.

Bandeira Branca permanece na Pinacoteca até janeiro do ano que vem. Depois, a artista seguirá para a residência Denniston Hill, no interior do estado americano de Nova York, com uma proposta de descanso e sem obrigação de entregar uma obra ao final.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.

Mais lidos

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5