RIO DE JANEIRO — A música “Mãe Preta”, criada em 1943 por Caco Velho e Piratini, será apresentada com sua letra original no show de lançamento de “Povo Brasileiro”, novo álbum de Pierre Aderne. A apresentação acontece nesta quinta-feira, no Circo Voador, no Rio de Janeiro.
A canção narra a violência sofrida por uma mulher que cuidava dos filhos de um senhor de escravos enquanto seus parentes eram açoitados. Nos anos 1950, a fadista Amália Rodrigues gravou a obra com outra letra, transformada em uma canção de amor sob o título “Barco Negro”.
Um álbum entre países lusófonos
“Povo Brasileiro” foi gravado na Casa Darcy Ribeiro, em Maricá, no estado do Rio de Janeiro. O espaço cultural foi projetado por Oscar Niemeyer e tem desenho inspirado nas casas de indígenas tupinambás. O nome do disco homenageia o livro clássico de Darcy Ribeiro lançado em 1995.
O trabalho reúne samba, fado, pontos de candomblé, semba, morna e coladeira, ritmos surgidos nas ex-colônias portuguesas. A fadista Ana Margarida Prado participa do álbum, assim como Zulu, ligado ao pop cabo-verdiano. Kiko Horta assina os arranjos, e a faixa-título é uma parceria entre Horta, Aderne e Moacyr Luz, que também coassina outras músicas.
No show, estarão Fernanda Abreu, Paulinho Moska, Pedro Luís e Moacyr Luz. A apresentação marca a chegada ao Brasil de uma obra construída a partir das experiências do artista em Portugal.
De Brasília a Lisboa
Nascido em Toulouse, na França, Pierre Aderne, 60, é filho de português com brasileira. Ele passou a juventude em Brasília, estudou Educação Física e se aproximou de Renato Russo, Herbert Vianna, Cássia Eller e dos músicos do Capital Inicial.
No Rio de Janeiro, ampliou a convivência com Paulinho Moska, Maria Gadu, Mu e Dadi. O apartamento onde morava, na rua Nascimento e Silva, 130, recebeu músicos e ficava em frente ao endereço de Tom Jobim, na rua Nascimento e Silva, 107.
Com produção de Dadi, Aderne gravou “Casa de Praia”, lançado em 2005 também no Japão. Em 2011, mudou-se para Portugal e criou, em Lisboa, o projeto Rua das Pretas, voltado a encontros entre músicos de diferentes nacionalidades.
“Comecei a me interessar por toda aquela tradição musical riquíssima que tem o fado português, a morna cabo-verdiana, o semba angolano e vários outros ritmos”, diz Aderne. O novo álbum reúne referências dos 15 anos vividos pelo artista em Portugal.








