Tom Cruise interpreta Digger Rockwell, um magnata do petróleo que usa dinheiro e influência para defender seus negócios enquanto uma crise climática ameaça atingir a Europa. O personagem é apresentado como um empresário calvo, barrigudo e mesquinho, em contraste com os heróis militares e agentes destemidos que marcaram a carreira do ator.
A crise provocada pelo empresário
Na trama, uma plataforma de petróleo de Digger na Groenlândia explode e provoca o desprendimento de uma geleira monumental. O bloco de gelo segue em direção à Europa e causa um tsunami que deixa milhares de pessoas desabrigadas.
Depois do desastre, o empresário tenta reduzir os impactos sobre sua empresa e sobre o governo americano, com o qual mantém uma parceria de longa data. Ele se reúne com o presidente interpretado por John Goodman, com empresários dos setores de mídia e inteligência artificial e também vai às Nações Unidas para enfrentar parlamentares europeus.
Digger é acompanhado por Ganesh, cientista vivido por Riz Ahmed. O personagem trabalhou para o magnata durante toda a vida, apesar das violações frequentes do empresário às regras de segurança ambiental.
Transformação de Tom Cruise
Aos 64 anos, Cruise usa próteses de papada, calvície e barriga para interpretar o protagonista. O papel é tratado como sua tentativa mais clara de conquistar um Oscar, prêmio que o ator nunca venceu. “Nunca tive o privilégio de poder interpretar um personagem como esse no cinema”, afirmou Cruise em entrevista a jornalistas.
O filme é dirigido pelo mexicano Alejandro González Iñárritu, vencedor do Oscar em 2015 por “Birdman”. A ideia surgiu durante as filmagens de “O Regresso”, longa protagonizado por Leonardo DiCaprio sobre um homem que atravessa sozinho o oeste dos Estados Unidos durante um inverno rigoroso em 1823.
Segundo Iñárritu, a falta de neve e gelo nas locações de “O Regresso” já evidenciava os efeitos das mudanças climáticas em 2014. Em “Digger”, essa preocupação aparece em uma história sobre o uso do poder econômico, a manipulação da opinião pública e os limites da resposta política diante de uma catástrofe.
Sátira política
O personagem usa chapéu e botas de vaqueiro e fala com um sotaque carregado do sul dos Estados Unidos. Ele conta com pompa que o bisavô descobriu petróleo ao perseguir o sonho americano e defende a ideia de que enriquecer justificaria qualquer empreitada.
A produção satiriza bilionários, o establishment do chamado norte global e a cultura meritocrática americana. O filme também faz referências ao presidente Donald Trump, incluindo a disputa política em torno da Groenlândia e críticas às políticas agressivas do republicano.
Iñárritu afirmou que a realidade avançou mais rápido do que a ficção criada para o filme. “Foi muito angustiante, era como fazer um documentário sobre o futuro”, disse o diretor.
Com orçamento de grande estúdio, “Digger” também ironiza a própria indústria cinematográfica e a produção de longas caros, dirigidos por cineastas de prestígio e usados para formular críticas políticas. Para Cruise, o filme não apresenta uma conclusão única ao público: “Cada um vai sair com seu ponto de vista, e essa é a beleza do cinema.”








