BIRMINGHAM — A ativista cristã Isabel Vaughan-Spruce recebeu cinco novas acusações relacionadas a ocasiões em que permaneceu em silêncio e fez orações perto da Robert Clinic, em Birmingham, no Reino Unido. Ela se declarou inocente de todas as acusações.
A promotoria afirma que Vaughan-Spruce violou, em cinco ocasiões entre novembro de 2025 e janeiro deste ano, as regras da zona de proteção criada ao redor da clínica. A área tem 150 metros e impede abordagens ou outras ações destinadas a influenciar pessoas que entram ou saem do local.
A legislação proíbe, dentro da área, atos realizados com a intenção de influenciar decisões relacionadas ao acesso a serviços de aborto. A defesa afirma que Vaughan-Spruce permaneceu sozinha e em silêncio nas ocasiões investigadas.
Decisão judicial
Durante uma audiência no Tribunal de Magistrados de Birmingham, o juiz Tan Ikram autorizou a substituição de uma acusação inicial por cinco acusações separadas, uma para cada episódio. A decisão ocorreu nesta quarta-feira (7), no segundo dia da audiência. Na terça-feira (6), o juiz havia considerado que a acusação original não estava redigida adequadamente e que a promotoria deveria especificar qual ato teria sido cometido.
Ikram questionou quais provas demonstrariam que a presença da ativista tinha o objetivo de influenciar outras pessoas. “Simplesmente estar presente não é suficiente”, afirmou o juiz, segundo a ADF International, organização jurídica que representa Vaughan-Spruce.
A ativista já havia sido presa em 2022, quando policiais perguntaram se ela estava rezando enquanto permanecia em silêncio perto da mesma clínica. Ela respondeu que fazia uma oração “em sua mente”. Vaughan-Spruce foi absolvida em fevereiro de 2023 e voltou a ser presa nas proximidades da unidade no mesmo ano.
Em 2024, a polícia de West Midlands pagou 13 mil libras (cerca de R$ 93 mil) à ativista após uma ação relacionada às duas prisões. A queixa incluía alegações de prisão injusta, agressão e violação de direitos humanos.
“É inacreditável que eu esteja novamente enfrentando acusações criminais simplesmente por permanecer em silêncio perto de uma clínica de aborto”, afirmou Vaughan-Spruce após a audiência. Ela disse que não abordou ninguém nem tentou interferir na decisão de qualquer pessoa.
As zonas de proteção passaram a valer nacionalmente na Inglaterra e no País de Gales em outubro de 2024. O julgamento está previsto para ocorrer entre 25 e 29 de janeiro de 2027.








