CEUTA — Documentos divulgados pelo governo espanhol mostram que o Centro Nacional de Inteligência (CNI) alertou autoridades sobre uma convocação para entradas em massa de imigrantes em Ceuta um dia antes da crise que levou mais de 70 mil pessoas a atravessarem a fronteira do enclave no norte da África.
O aviso foi enviado em 29 de julho, às 13h52, por WhatsApp, ao gabinete da representação do governo espanhol em Ceuta. A mensagem informava que grupos nas redes sociais planejavam tentar entrar no território no dia seguinte, pelo mar e pela cerca.
“Nas redes sociais há uma convocação para uma entrada pela cerca e pelo mar amanhã às 20h”, informou o CNI. A mobilização aproveitaria o Dia do Trono, feriado nacional do Marrocos, quando as forças de segurança do país estariam envolvidas nas comemorações.
O serviço de inteligência também informou que dois grupos divulgavam a convocação e reuniam 180 mil seguidores. Na mesma ocasião, uma unidade da Guarda Civil recebeu dados sobre tentativas previstas para o dia seguinte e sobre incentivos às entradas em grupos do Facebook e do WhatsApp.
Às 18h26, o CNI enviou uma nota urgente à DGST e à DGED, agências de inteligência do Marrocos. A entrada ocorreu no dia seguinte, durante uma crise iniciada em 30 de julho. Mais de 70 mil imigrantes atravessaram a fronteira para Ceuta, sobrecarregando a estrutura local e provocando protestos de moradores contra a resposta do governo de Pedro Sánchez.
Documentos divulgados
A divulgação ocorreu depois de Sánchez se comprometer, diante do Congresso, em 3 de setembro, a tornar públicas as informações recebidas pelas autoridades antes e durante a crise. O governo liberou 40 relatórios, alertas e comunicações produzidos entre 1º e 31 de julho por órgãos como a Polícia Nacional, a Guarda Civil, o CNI e a inteligência das Forças Armadas.
Os registros indicam que o monitoramento da situação havia começado antes do alerta de 29 de julho. Dois dias antes, o CNI distribuíra a autoridades nacionais e de Ceuta um relatório sobre a imigração ilegal em direção à Espanha.
Sánchez rejeitou a avaliação de que o governo tinha informações capazes de antecipar a dimensão da crise. Em entrevista à TVE, afirmou que os relatórios indicavam centenas de chegadas, e não uma movimentação de 70 mil pessoas. O ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, disse que não havia recebido informações sobre uma entrada da magnitude registrada em 30 de julho.








