O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode responder, durante discurso na Organização das Nações Unidas (ONU), às críticas do governo de Donald Trump sobre o combate brasileiro ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV). A fala está prevista para a próxima terça-feira (22/9), na 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
O secretário de Assuntos Multilaterais Políticos, embaixador Carlos Márcio Bicalho Cozendey, afirmou que o tema pode ser tratado a partir dos esforços do Brasil contra as duas facções e o crime organizado. Entre as iniciativas citadas estão cooperações internacionais e acordos bilaterais, inclusive com os Estados Unidos.
O Itamaraty informou que o discurso ainda não está completamente definido e pode ser alterado.
Decreto do governo Trump
Em decreto divulgado nesta quarta (16/9), os Estados Unidos não incluíram o Brasil na lista de principais países de trânsito ou produtores de drogas ilícitas. O documento, porém, afirmou que o país foi transformado em um “centro de distribuição global de cocaína”.
O texto também declarou que o governo brasileiro falhou ao enfrentar o PCC e o CV, classificados pelos Estados Unidos como organizações terroristas estrangeiras, e cobrou que o país “urgentemente tomar medidas enérgicas” contra as facções.
PCC e CV foram incluídos, em maio deste ano, nas listas de Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT) e de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs). As designações afetam principalmente atividades financeiras dos grupos e de pessoas ligadas a eles.
Autoridades brasileiras afirmam que a medida pode abrir brechas para uma intervenção norte-americana sob a justificativa de combate ao chamado “narcoterrorismo”. O chanceler Mauro Vieira admitiu o risco de uma possível ação militar dos Estados Unidos no Brasil. O texto também menciona a captura do ex-presidente Nicolás Maduro na Venezuela como exemplo de ação desse tipo.








