José Miguel Insulza foi escolhido para comandar a missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) que observará as eleições presidenciais do Brasil em outubro. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro, com eventual segundo turno previsto para 25 do mesmo mês.
O anúncio foi feito pelo secretário-geral da OEA, Albert Ramdin. A escolha provocou desconforto em Washington, onde integrantes da Casa Branca classificaram a decisão como um “grotesco erro diplomático”, segundo a informação citada no texto-fonte. Até o momento, porém, a Casa Branca e o Departamento de Estado não fizeram críticas públicas à indicação.
A proximidade política entre Insulza e Luiz Inácio Lula da Silva começou há mais de duas décadas. Em 2005, quando era ministro do Interior do Chile, Insulza disputou a Secretaria-Geral da OEA com apoio de Lula, então em seu primeiro mandato. Ele venceu a disputa e permaneceu no cargo por dez anos, após ser reeleito em 2010.
Em 2016, durante as investigações da Operação Lava Jato, Insulza assinou uma declaração internacional em defesa de Lula. O documento afirmava haver uma “tentativa de destruir a imagem de Lula” e dizia que o então ex-presidente não deveria sofrer “ataques injustificados” à sua integridade.
A manifestação provocou reação no Chile. A Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados decidiu comunicar sua preocupação ao Ministério das Relações Exteriores, alegando que Insulza, então representante oficial do país perante a Corte Internacional de Justiça, não deveria se pronunciar sobre um processo judicial brasileiro.
Atuação política
Insulza participou, em 2019, da criação do Grupo de Puebla, fórum que reúne representantes progressistas da América Latina e da Europa. Entre os signatários da declaração fundadora estavam Fernando Haddad e Aloizio Mercadante.
Em 2022, Insulza assinou uma declaração que dizia que Lula havia ficado preso “injustamente” por 580 dias e que a eleição brasileira de 2018, vencida por Jair Bolsonaro, havia sido marcada pela exclusão do petista.
Militante do Partido Socialista chileno desde 1985, Insulza também ocupou cargos na direção da legenda. Em 1969, apresentou na Universidade do Chile uma tese de graduação em Direito intitulada “Teoria e prática revolucionária na obra de León Trotsky”. Ele recebeu formalmente o título profissional de advogado em 30 de novembro de 1992.
Insulza foi chanceler durante o governo de Eduardo Frei Ruiz-Tagle e ministro do Interior de Ricardo Lagos antes de chefiar a OEA. Em 2009, durante sua gestão, a organização revogou a resolução de 1962 que havia excluído Cuba do sistema interamericano.
Em entrevista publicada em maio deste ano, Insulza criticou Donald Trump e afirmou que o presidente americano “carece de uma visão clara de política externa”. Também acusou a política conduzida pelo secretário de Estado Marco Rubio de reviver “os piores aspectos da Doutrina Monroe”.







