A transformação de detenções e deportações em mecânicas de videogame provocou críticas de organizações e ativistas de direitos humanos nos Estados Unidos. A Casa Branca publicou dois jogos online para divulgar mensagens ligadas à política anti-imigração do governo de Donald Trump.
Em um deles, o jogador controla um personagem inspirado em Tom Homan, chamado de “czar da fronteira”, para capturar pessoas que atravessaram o rio Grande e deportá-las. O game tem gráficos retrô e usa elementos associados ao “jogo da cobrinha”.
Disputa em torno da marca
O outro jogo, chamado “Build the Wall”, foi disponibilizado no site oficial da Casa Branca. A dinâmica consiste em empilhar blocos para simular a construção de um muro na fronteira com o México. As instruções diziam que era preciso “proteger a fronteira da horda que se aproxima”.
A Tetris Company afirmou que não autorizou a estética usada no jogo, não licenciou a marca e não participou de sua criação. A empresa informou que analisa o caso.
O material promocional também foi associado a elementos visuais que lembram criações da Sega, do Xbox, da Microsoft e da Flappy Bird Foundation. A Microsoft não respondeu aos pedidos de comentário, e a Sega não foi localizada.
Reação e justificativa
Para os críticos, a estratégia banaliza medidas que afetam a vida de imigrantes. “Isso me dá nojo. Eles passam anos brincando com a vida das pessoas e agora fazem um videogame com suas ações”, disse Amérika García Grewal, codiretora da Frontera Federation.
A Casa Branca afirmou que procura “formas inovadoras” de apresentar as realizações do presidente. O governo também disse que os jogos destacam um contraste entre uma cultura “divertida” e “de sucesso” e a visão socialista que atribui aos democratas nos Estados Unidos.
As críticas ocorrem durante a intensificação das detenções e deportações em massa. O Departamento de Segurança Interna informou ter detido quase 51 mil imigrantes sem documentos em agosto. O órgão também divulgou um vídeo de deportação de haitianos algemados, classificado por opositores como degradante e racista.
A Casa Branca também utiliza conteúdos provocadores nas redes sociais para gerar reação e ampliar o alcance das mensagens do governo.








