Iranianos que vivem no exterior têm sido alvo de ameaças, pressão sobre familiares e dificuldades para renovar passaportes em meio à repressão do governo do Irã contra os protestos por democracia. Dentro do país, pelo menos 34 pessoas foram executadas por participação nos atos de janeiro.
Em Istambul, na Turquia, a estudante Zahra publicou no Instagram vídeos de crítica ao regime islâmico quando os protestos começaram, em dezembro. Depois disso, agentes de inteligência foram à casa do pai dela, no centro do Irã, e exigiram que a jovem parasse de fazer publicações.
No final de fevereiro, os agentes voltaram ao local e disseram que a mãe de Zahra seria presa caso ela não apagasse todo o conteúdo em até oito horas. A estudante removeu as postagens, mas a família continuou sob ameaça de ter seus bens confiscados.
Passaportes e deportações
Iman Asghari, engenheiro iraniano de 37 anos do setor petrolífero, recorre de uma ordem de deportação emitida em junho pelas autoridades da Geórgia, onde mora. Condenado a dez anos de prisão por participar de protestos no Irã em 2018, ele não conseguiu obter um novo passaporte na embaixada iraniana, segundo sua família. Sem o documento, fica impedido de viajar para outro país.
A Geórgia deportou 95 iranianos no primeiro semestre deste ano, durante uma operação mais ampla contra a imigração. O caso de cidadãos iranianos ocorre enquanto o governo georgiano se aproxima de Teerã e mantém aliança com a Rússia.
Ameaças de violência
Um relatório do Soufan Center divulgado no mês passado apontou que Irã, Rússia e Índia estiveram ligados a pelo menos 12 assassinatos ou tentativas realizados com organizações criminosas em outros países nos últimos dez anos. Segundo o documento, o Irã encomendou pelo menos cinco assassinatos desde 2011 contra dissidentes e críticos na Europa e na América do Norte.
Entre as organizações citadas estão as redes Zindashti e Foxtrot. A primeira é liderada por Naji Ibrahim Sharifi-Zindashti, alvo de sanções dos Estados Unidos, do Reino Unido, do Canadá e da União Europeia. A Foxtrot, sediada na Suécia, e seu líder, Rawa Majid, foram sancionados pelos Estados Unidos em 2025.
Em maio, iranianos que protestavam diante da embaixada de Teerã em Ierevan, capital da Armênia, disseram ter sido avisados por agentes de segurança locais sobre ameaças de sequestro, assassinato ou outros ataques. Ashkan, de 30 anos, afirmou que continua no país apesar do alerta.








