VATICANO — O papa Leão XIV pediu aos patronos dos Museus Vaticanos que valorizem a beleza e a contemplação em uma era marcada pelo avanço da tecnologia. O pontífice falou durante uma audiência privada realizada em 7 de outubro com representantes do capítulo da Louisiana dos patronos, que estavam em peregrinação a Roma.
O grupo internacional de benfeitores foi criado em 1983 e financia a conservação e a restauração das coleções de arte do Vaticano. Leão agradeceu o apoio aos museus e defendeu a criação de ambientes dedicados à beleza, em vez de priorizar apenas eficiência e lucro.
"Em uma era dominada pela tecnologia, na qual a eficiência e o lucro muitas vezes têm precedência, é tão importante que continuemos a cultivar um espírito de contemplação e permitir tempo e espaço para a beleza", disse o papa.
Segundo Leão, essa postura pode ajudar especialmente os jovens a reconhecer o potencial da arte para elevar o espírito humano. Ele também relacionou a contemplação à possibilidade de encontrar Deus, descrito por Santo Agostinho como sempre antigo e sempre novo.
Arte e inteligência artificial
As declarações ocorreram depois de um discurso feito em 2 de outubro para artistas. Na ocasião, o papa diferenciou a arte produzida por pessoas daquela gerada por inteligência artificial (IA).
Leão afirmou que as máquinas produzem resultados por meio de cálculos estatísticos baseados em milhões de imagens criadas por outras pessoas. Para ele, os algoritmos não possuem a dimensão humana presente na cultura e na arte autênticas.
"Há uma diferença ontológica — mesmo antes de uma estética — entre arte e o que uma máquina pode gerar através de cálculo estatístico baseado em milhões de imagens criadas por outros", disse Leão, ao citar sua encíclica sobre IA, Magnifica Humanitas.








