NOVA YORK — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e condenou a operação militar americana que capturou Nicolás Maduro na Venezuela. Em entrevista concedida nesta segunda-feira, Lula voltou a chamar Donald Trump de “imperador”.
As sobretaxas elevaram o imposto médio sobre produtos nacionais para 17,7% e reduziram em 9% as exportações brasileiras para o mercado americano. Washington justificou as medidas com alegações sobre práticas prejudiciais em propriedade intelectual, etanol e comércio digital, além de suspeitas de uso de trabalho forçado.
O governo brasileiro contesta os argumentos e afirma que o país registra saldo negativo na relação comercial com os Estados Unidos, pois compra mais do que vende. Como resposta às barreiras, o Brasil buscou ampliar as negociações com outros parceiros internacionais.
A estratégia elevou em 10,5% a média das transações comerciais com 57 países. O comércio avançou 20% com a China, 18% com o Japão e 23% com a União Europeia. Também houve crescimento nas relações comerciais com Alemanha, Indonésia e Vietnã.
Venezuela e multilateralismo
Lula afirmou que a soberania venezuelana foi anulada após a operação militar americana realizada em janeiro, que terminou com a captura e a prisão de Nicolás Maduro. Para o presidente brasileiro, os Estados Unidos passaram a agir como chefes do território vizinho. Ele defendeu que o governo interino convoque imediatamente novas eleições nacionais para devolver ao povo o poder de decisão.
O Brasil também lançou a Parceria pelo Multilateralismo com líderes do Canadá, do Quênia e do Conselho Europeu. A iniciativa pretende defender decisões conjuntas entre países e pressionar por reformas urgentes na Organização das Nações Unidas.
A plataforma também prevê ampliar ações internacionais sobre inteligência artificial, segurança internacional, saúde e combate às mudanças climáticas globais.







