A direita se dividiu sobre a convocação de protestos contra o ministro Alexandre de Moraes após a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) de terça-feira (15). Uma ala defende mobilizações para pressionar a Corte e o Senado; outra teme que confrontos ou provocações prejudiquem as denúncias relacionadas ao Banco Master e reabram o debate sobre o 8 de Janeiro.
O plenário do STF encerrou uma sessão de oito horas sem definir o andamento da investigação contra Moraes. O presidente da Corte, Edson Fachin, também suspendeu a reunião prevista para quarta-feira (23). Permanecem dúvidas sobre o rito, a relatoria e a separação dos casos.
Pressão sobre o Senado
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) passou a defender uma nova mobilização popular. Nas redes sociais, ele classificou a sessão como “circo” e afirmou que o país deveria parar e ir às ruas na próxima reunião do STF. A proposta seria um ato sem candidatos ou carros de som, aberto a pessoas de diferentes correntes ideológicas.
Nikolas já havia liderado, em 13 de setembro, uma manifestação no Amapá para pressionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pelo andamento do impeachment de Moraes. No 7 de Setembro, também foram registrados atos contra o ministro em ao menos 15 cidades.
A possibilidade de novos protestos provoca cautela entre integrantes da direita. O receio é que incidentes isolados sejam usados para associar novamente manifestações conservadoras aos acontecimentos do 8 de Janeiro. Setores governistas e Moraes têm usado a expressão “golpe continuado” para relacionar aquele episódio a pressões posteriores contra o STF, incluindo articulações internacionais por sanções a autoridades brasileiras.
Rony Gabriel, vereador de Erechim (RS), influenciador de direita e candidato a deputado federal pelo Podemos, criticou líderes que convocaram atos contra Moraes. Para ele, o contexto eleitoral pode criar riscos para os conservadores. “Tudo que o governo e Moraes querem nesse momento é um motivo para punir seus rivais”, afirmou.
Moraes diz que as acusações do escândalo Master contra ele são uma “tentativa de vingança” de aliados de Jair Bolsonaro, entre eles André Mendonça. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva atribui a prisão do antecessor à reação de Flávio Bolsonaro (PL) contra o ministro e acusou Mendonça de agir politicamente e divulgar informações de forma seletiva.
A divergência é tratada como uma diferença de estratégia. Parte da direita vê as ruas como instrumento de pressão sobre o Senado e o STF; outra teme que eventuais desordens desviem a discussão das suspeitas e favoreçam os adversários durante a campanha.







