A projeção Equal Earth deverá ser adotada pela ONU e por agências como a UNESCO após uma resolução aprovada pela Assembleia Geral nesta sexta-feira (4). O modelo foi criado em 2018 para representar as áreas dos continentes com mais precisão, especialmente a África.
A proposta, chamada Correct the Map (Corrija o mapa), recebeu apoio de 164 países. Os EUA votaram contra, e seis países se abstiveram. A resolução também recomenda que Estados-Membros, organizações internacionais e outras entidades adotem e divulguem a projeção.
O documento não proíbe o uso da projeção de Mercator, mas orienta para seu abandono gradual. O modelo é usado desde 1569 e é apontado pelos apoiadores da iniciativa como responsável por representar alguns continentes de forma desproporcionalmente pequena.
A medida foi defendida pelo ministro dos Negócios Estrangeiros do Togo, Robert Dussey. Ele afirmou à Assembleia Geral que mapas distorcidos presentes em livros didáticos, meios de comunicação, plataformas digitais e documentos oficiais influenciam por gerações a percepção sobre o mundo.
Dussey também disse que essas representações contribuíram para reduzir simbolicamente a dimensão da África e de outras regiões, produzindo uma visão distorcida da geografia mundial.
Durante a sessão, a delegação dos EUA classificou a resolução como parte de um projeto ideológico mais amplo e radical. O país também criticou o debate sobre mapas do século XIX enquanto a Assembleia Geral trata de reparações e justiça cognitiva.








