O professor de filosofia John Cuddeback defende que as famílias recuperem o lar como espaço de convivência, pertencimento e desenvolvimento humano. A proposta está no livro “The Intentional Household: Living as if People Matter”, que apresenta oito princípios para orientar a vida doméstica.
Cuddeback leciona no Christendom College e ministra um curso sobre família e lar. Para ele, muitas famílias sabem que desejam relações mais profundas, especialmente entre cônjuges e entre pais e filhos, mas não encontram uma visão clara nem exemplos para colocar isso em prática.
Prioridades e tecnologia
Na avaliação do professor, o principal desafio é estabelecer prioridades. Ele afirma que a sociedade deixou de valorizar o foco exigido pela vida doméstica, o que aparece nas dificuldades relacionadas ao casamento, à criação dos filhos e à convivência com os idosos.
Cuddeback também aponta a tecnologia como um dos elementos que dificultam essa atenção ao lar. Ao comentar a encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV, ele defendeu uma análise honesta e persistente do uso da tecnologia, começando dentro de casa. A tecnologia, segundo sua proposta, deve ser direcionada ao florescimento humano, e não substituir as relações e as atividades da vida cotidiana.
Ele afirma que essa abordagem pode ser adotada por pessoas em diferentes situações, incluindo solteiros, casais sem filhos, divorciados e separados. Na visão do professor, qualquer pessoa disposta a agir de maneira intencional pode aplicar os princípios do livro e promover mudanças na própria vida doméstica.
O valor das atividades comuns
Entre os pensadores citados por Cuddeback está Wendell Berry. O professor afirma que Berry identificou a relação entre a perda de atividades de trabalho e lazer no lar e o aumento da desconexão e do isolamento.
Para Cuddeback, refeições com a família, trabalho compartilhado na cozinha, outras artes domésticas e momentos de descanso podem fortalecer o casamento, a parentalidade e outros relacionamentos. Ele também relaciona essas práticas à conexão entre as pessoas, o corpo, a terra e Deus.
O professor espera que seu livro mostre que qualquer pessoa pode assumir uma postura intencional em relação ao lar e avançar na construção de relações mais presentes e conectadas.








