O arcebispo Christophe-Zakhia El-Kassis, observador permanente da Santa Sé na ONU, defendeu a igualdade para as mulheres e mudanças nas políticas de desenvolvimento durante a 81ª Assembleia Geral. As declarações foram feitas em 6 de outubro, nos comitês da organização voltados a temas sociais, humanitários, culturais, econômicos e financeiros.
Nomeado para o cargo em julho, El-Kassis afirmou que o avanço econômico e tecnológico deve colocar a pessoa humana e o bem comum no centro. Ao abordar a erradicação da pobreza, disse que os pobres não devem ser tratados apenas como beneficiários de assistência, mas participar das políticas e dos programas criados para melhorar suas próprias vidas.
O representante relacionou o combate à pobreza a metas como pleno emprego, trabalho decente e integração social. Para isso, defendeu cooperação contínua, criatividade e um compromisso renovado com uma visão política, econômica, ética e espiritual do desenvolvimento baseada na dignidade humana. Ele citou uma declaração do Papa Leão XIV sobre a necessidade de priorizar as pessoas, e não o acúmulo de riqueza.
Desenvolvimento e exploração
Em outra sessão, sobre desenvolvimento sustentável e mudanças na economia global, El-Kassis pediu uma estrutura financeira internacional mais justa e inclusiva. Para ele, o local de nascimento não deve definir o respeito à dignidade de uma pessoa nem as oportunidades disponíveis. Também afirmou que as condições econômicas de um país não devem impedir sua participação nas decisões sobre seu desenvolvimento.
Ao tratar dos direitos das mulheres, o arcebispo declarou que “a igualdade para as mulheres não pode ser alcançada enquanto a violência contra as mulheres permanecer generalizada”. Ele também denunciou o tráfico humano e mencionou formas de exploração favorecidas por avanços tecnológicos e médicos, entre elas a barriga de aluguel.
A Santa Sé reiterou sua oposição à prática, sob o argumento de que ela transforma a gestação em “um serviço negociável”. Para a instituição, isso viola a dignidade da criança e da mãe. El-Kassis também citou a encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV, ao abordar a igualdade feminina.








