O Grupo de Estudo 7 do Sínodo dos Bispos propôs ampliar a participação dos católicos nas visitas ad limina apostolorum, realizadas por bispos diocesanos a Roma para visitar os túmulos dos apóstolos Pedro e Paulo e encontrar o papa.
A proposta é analisada no contexto do processo sinodal de 2021–2024 e trata de aspectos da pessoa e do ministério dos bispos, como a escolha de candidatos ao episcopado, a função judicial dos bispos e a preparação das visitas ad limina.
Mais que uma prestação administrativa
Com base na constituição apostólica Praedicate Evangelium, do papa Francisco, e no documento final da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, o grupo defende que as visitas não sejam concentradas em relatórios administrativos e assuntos internos das dioceses.
O objetivo seria reforçar a missão da Igreja em diferentes contextos culturais, além de promover a troca e a escuta entre as Igrejas locais, o bispo de Roma e a Cúria Romana. O documento final do sínodo classifica as visitas como o ponto alto da relação entre os bispos das Igrejas locais e o bispo de Roma e seus colaboradores mais próximos.
A proposta se apoia na compreensão da Igreja como uma comunhão de Igrejas, apresentada pelo Concílio Vaticano II, especialmente nas constituições Lumen Gentium e Ad Gentes. Nesse modelo, os bispos compartilhariam como o Evangelho é anunciado em suas realidades, enquanto o bispo de Roma encorajaria seus irmãos e exerceria o serviço de Pedro.
Preparação com participação local
Antes da viagem a Roma, o Grupo de Estudo 7 propõe que o bispo convoque o povo de Deus para participar da preparação do Relatório Preliminar por meio de um processo de discernimento eclesial, com oração e participação conforme os diferentes carismas, missões e ministérios.
A preparação envolveria sacerdotes, diáconos, homens e mulheres consagrados e fiéis leigos. O trabalho começaria pelos órgãos diocesanos, incluindo o Conselho Presbiteral e o Conselho Pastoral Diocesano.
Segundo o grupo, a Relatio Praevia deveria ser baseada em processos periódicos de avaliação e prestação de contas realizados localmente. A intenção é que a visita ad limina seja percebida como um acontecimento que envolve, na medida do possível, todos os membros do povo de Deus e diz respeito diretamente à comunidade de cada Igreja local.
Diálogo em Roma
Em Roma, a proposta prevê menos ênfase em briefings formais e mais espaço para a revitalização espiritual e o diálogo colegial. O grupo descreve esse diálogo como uma troca de dons, com participação franca, cordial e recíproca.
A dinâmica permitiria apresentar tanto os pontos fortes quanto as necessidades das Igrejas locais e estimular o compartilhamento de boas práticas. A proposta também prevê que os bispos possam ser acompanhados por representantes dos fiéis.
O Grupo de Estudo 7 afirma que a mudança transformaria as visitas em uma expressão de corresponsabilidade, unidade católica e conversão missionária, com a participação conjunta da Igreja local na definição de sua missão e no aproveitamento dos resultados do encontro com o sucessor de São Pedro.





