A ameaça do terrorismo islâmico nos Estados Unidos passou a se concentrar em indivíduos radicalizados na internet, que planejam e executam ataques sozinhos. Órgãos de inteligência avaliam que grandes operações coordenadas por grupos estrangeiros se tornaram raras após o reforço da segurança e da cooperação internacional.
A mudança ocorre no marco de 25 anos dos atentados de 11 de Setembro. Em 2001, a Al-Qaeda realizou uma operação complexa e centralizada. Desde então, o controle nas fronteiras e o intercâmbio de informações dificultaram a entrada e a movimentação de agentes estrangeiros em território americano.
Radicalização digital
O FBI considera os chamados “lobos solitários” a principal preocupação. São pessoas que vivem nos Estados Unidos e consomem vídeos e materiais extremistas nas redes sociais, muitas vezes dentro de casa, sem manter contato direto com uma estrutura de comando.
Como não precisam trocar mensagens com uma célula nem organizar logística em grupo, esses agressores deixam menos sinais para os órgãos de segurança. A decisão e a execução do ataque podem ocorrer de forma individual, o que reduz o tempo disponível para sua identificação.
Relatórios de inteligência citam dois episódios de 2025. Em janeiro, um homem que apoiava o Estado Islâmico lançou uma caminhonete contra uma multidão em Nova Orleans e abriu fogo. Quatorze pessoas morreram. Em junho, um morador do Colorado usou um lança-chamas improvisado e coquetéis Molotov contra participantes de uma caminhada em solidariedade a reféns israelenses.
Os casos também indicam o uso de armas acessíveis ou improvisadas, sem a necessidade de explosivos sofisticados ou de treinamento militar no exterior.
Conflitos internacionais, como a guerra em Gaza, são explorados pela propaganda da Al-Qaeda e do Estado Islâmico. As organizações usam imagens de guerras para estimular revolta e tentar transformar a indignação política de apoiadores em violência direta nos países ocidentais. Mesmo mais enfraquecidos estruturalmente, os grupos ainda conseguem orientar taticamente pessoas isoladas.







