DUBLIN — Donald Trump afirmou neste sábado (12) que um eventual conflito entre Reino Unido e Argentina pelas Ilhas Malvinas seria um “desastre em potencial”. O presidente dos Estados Unidos também disse acreditar que conseguiria resolver a situação se fosse chamado a intervir.
“Tenho certeza de que me ligarão para intervir nesse potencial desastre, mas, se o fizerem, provavelmente conseguirei resolver a situação”, declarou Trump a jornalistas depois de se reunir com o primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin.
Trump disse que os dois países estão “irritados” um com o outro e questionou se o Reino Unido estaria disposto a reagir militarmente, considerando a distância entre o arquipélago e o país. Ao mencionar que os britânicos controlam as ilhas desde 1833, afirmou que o Reino Unido enfrenta questões internas ligadas à imigração e à energia.
A disputa voltou a ganhar intensidade depois de Trump declarar que estava reavaliando a posição dos Estados Unidos sobre as Malvinas. A manifestação teria estimulado o presidente argentino, Javier Milei. O governo da Argentina abriu procedimentos administrativos e apresentou uma queixa criminal contra empresas petrolíferas britânicas que atuam no arquipélago.
O governo britânico afirmou buscar uma relação “construtiva” com Buenos Aires, mas disse que sua posição sobre a soberania das ilhas não é negociável e que a decisão cabe exclusivamente aos habitantes. Em 2013, um referendo registrou 99,8% de apoio à permanência das Malvinas como Território Ultramarino do Reino Unido.
Declarações sobre a Irlanda
Durante a passagem por Dublin, Trump afirmou que “adoraria” ver a Irlanda unificada e disse acreditar que isso ocorrerá mais cedo ou mais tarde. Ele reconheceu que o Reino Unido teria participação na questão.
Um porta-voz de Downing Street declarou que um eventual referendo sobre a fronteira é responsabilidade do secretário de Estado britânico para a Irlanda do Norte. A consulta, segundo ele, só deveria ser considerada se houvesse mudança suficiente na opinião pública.
A República da Irlanda e a Irlanda do Norte, que faz parte do Reino Unido, estão separadas desde 1921. A divisão esteve no centro dos Troubles, encerrados politicamente pelo Acordo da Sexta-Feira Santa, em 1998. Gavin Robinson, líder do Partido Unionista Democrático, disse que o futuro constitucional da Irlanda do Norte será definido por sua população, e não por declarações feitas em Londres, Dublin ou Washington.








