Um relatório do Instituto Australiano de Política Estratégica afirma que a Venezuela negocia a incorporação de inteligência artificial chinesa ao sistema estatal de vigilância. O documento foi divulgado nesta terça-feira (8).
Sete meses antes da captura de Nicolás Maduro, em janeiro deste ano, o governo venezuelano assinou um memorando com a iFlytek, empresa chinesa sancionada pelos Estados Unidos desde 2019. O acordo prevê o uso de sistemas de inteligência artificial da companhia na infraestrutura de monitoramento já existente no país.
A negociação teria ocorrido durante a Grande Exposição China-Venezuela, em Caracas, com a presença do embaixador chinês Lan Hu, um dos signatários do documento. Além da cooperação em inteligência artificial, o memorando envolvia recursos hídricos e cooperação econômica e técnica.
Papel de Delcy Rodríguez
O relatório aponta a presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, como figura central na negociação. Antes de assumir o cargo, ela supervisionou o Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional e negociou o acordo com a iFlytek poucos meses antes de suceder Maduro.
A empresa é especializada em reconhecimento de voz, tradução e processamento de linguagem natural. Também está na lista de sanções da Casa Branca por fornecer sistemas de modelagem de linguagem em larga escala ao aparato de censura e automação judicial da China.
O instituto afirma que, sob Delcy, a Venezuela não liberalizou nem desmantelou o sistema de vigilância herdado do chavismo. A infraestrutura, segundo o documento, permanece totalmente operacional após a queda de Maduro. O relatório também diz que a desarticulação dependeria de uma ação deliberada, além da simples troca de autoridades.
Centro nacional de comando
Em janeiro de 2025, o governo criou um centro de comando nacional para reunir informações sobre reclamações de cidadãos, distribuição de benefícios sociais e atividades políticas. A estrutura seria operada por sistemas chineses.
O relatório descreve seis áreas integradas: telecomunicações; identidade e registro digital; bancos de dados centrais; redes de vigilância e monitoramento; análise e inteligência artificial; e controle de conteúdo na internet.
A estrutura foi formada gradualmente com investimentos em telecomunicações, identidade digital, segurança pública e controle da internet, com apoio de empresas chinesas e de Cuba. O instituto alerta que a tecnologia pode conectar e explorar dados coletados pelo governo, aumentando a eficiência do aparato de coerção existente.
O documento também afirma que a China se consolidou como líder global na implementação de sistemas de inteligência artificial, incluindo modelos de linguagem em larga escala usados para ampliar vigilância e repressão.








