A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou em 15.set.2026 que se sente “envergonhada” com a situação atual da Corte. A declaração ocorreu durante o julgamento sobre a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por sua relação com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
Cármen Lúcia disse ao presidente do STF, Edson Fachin, que considera inadequado o foco concentrado em questões processuais do tribunal enquanto o Brasil está a menos de 20 dias da eleição. Para ela, a situação contribui para o agravamento da crise institucional.
A ministra defendeu que os integrantes do Supremo exerçam a jurisdição com independência e sem se submeter a pressões externas ou internas. Segundo Cármen, julgamentos imparciais e isentos não podem ser influenciados pelo clamor popular ou pela pressão das multidões. Ela lembrou que o próprio STF já classificou como abusivo e ilegal o uso da pressão pública para influenciar decisões judiciais.
Cármen também afirmou que o tribunal tem provocado intranquilidade na sociedade. “O Poder Judiciário existe para tranquilizar o povo, e nós geramos intranquilidade”, declarou. Ela criticou ainda a polarização em torno dos julgamentos, afirmando que o debate ocorre como se houvesse lados ou torcidas.
A ministra ressaltou que falava em seu próprio nome e que orienta seus votos pela Constituição e pelo princípio da igualdade. Também disse que possíveis sanções dos Estados Unidos contra ministros do Supremo não devem interferir no exercício das funções da Corte.
Reação de Flávio Dino
Após a manifestação, o ministro Flávio Dino sugeriu que Edson Fachin encaminhasse o pronunciamento ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao Ministério das Relações Exteriores. Dino classificou as notícias sobre eventuais sanções norte-americanas como ingerência indevida e afirmou que representam ameaças à soberania nacional e ao Supremo.
O ministro citou a possibilidade de uma interlocução entre Fachin e John Roberts, presidente da Suprema Corte dos Estados Unidos, mas ressaltou que a representação do Brasil nas relações internacionais cabe ao Poder Executivo.








