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Política

Debate na China opõe inteligência artificial e inglês na formação escolar

Professor Tang Jiafeng defende reduzir o peso do inglês nas provas, enquanto críticos citam ciência, mobilidade social e competitividade global.

Debate na China opõe inteligência artificial e inglês na formação escolar

A possibilidade de ferramentas de inteligência artificial traduzirem textos e conversas em poucos segundos passou a alimentar, nas redes sociais chinesas, a discussão sobre o espaço do inglês na educação. A partir desse argumento, ganhou repercussão a proposta do matemático e professor universitário Tang Jiafeng de reduzir o peso da disciplina nos exames nacionais.

Na China, o inglês é obrigatório a partir do 3º ano do ensino fundamental e tem a mesma pontuação máxima que mandarim e matemática no gaokao, exame de ingresso no ensino superior. A disciplina também tem peso relevante nas provas de entrada para o ensino médio.

Tang afirma que o modelo consome tempo, dinheiro e esforço de estudantes, famílias e escolas. Ele também questiona a exigência de que candidatos à pós-graduação comprovem proficiência no idioma. Na avaliação do professor, essa regra pode deixar de fora jovens com potencial acadêmico nas áreas de ciência e tecnologia, mas que enfrentam dificuldades com línguas estrangeiras.

“Nossas crianças começam a estudar inglês antes mesmo de dominarem plenamente a própria língua”, disse Tang. Para ele, o idioma é uma ferramenta e não deveria receber o mesmo peso das disciplinas centrais nos exames.

Argumentos a favor da disciplina

A proposta recebeu apoio nas redes sociais, mas também provocou resistência. Uma alternativa defendida no debate é apenas diminuir a pontuação do inglês nas avaliações nacionais, sem retirar a disciplina do currículo.

Os críticos afirmam que o domínio do idioma é necessário para acompanhar a produção científica internacional, principalmente em áreas como inteligência artificial, biotecnologia e engenharia. Pesquisadores e profissionais chineses poderiam ter mais dificuldade para participar de redes globais de conhecimento se o ensino perdesse importância.

Hu Xijin, ex-editor-chefe do jornal estatal Global Times, defende a manutenção do inglês como competência fundamental no século 21. “Vivemos em uma era de globalização”, afirmou. Para ele, valorizar a cultura chinesa e aprender idiomas estrangeiros são objetivos compatíveis.

Outro argumento é que a obrigatoriedade amplia o acesso de crianças de regiões rurais e menos desenvolvidas a uma ferramenta associada à mobilidade social e profissional. Famílias também investem em cursos preparatórios voltados aos testes de inglês, que formam um mercado de aulas particulares.

Mudanças no ensino superior

A discussão ocorre enquanto cursos tradicionais de alemão, francês e outras graduações dedicadas exclusivamente a idiomas atraem menos candidatos nas universidades chinesas. Instituições passaram a combinar a formação linguística com áreas como direito, tecnologia da informação e economia.

Na Beijing Foreign Studies University, esse modelo vem ganhando força. A discussão sobre o papel da influência estrangeira na educação chinesa, porém, remonta ao final do século 19, quando intelectuais ligados à modernização da dinastia Qing defendiam o aprendizado com potências ocidentais para fortalecer o desenvolvimento do país.

Texto produzido pela Redação Janela do Fato com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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