A estrutura oferecida pela organização é um dos pontos que devem ser avaliados antes da inscrição em uma corrida de rua. Os participantes precisam verificar a experiência da empresa responsável, a presença de atendimento médico e paramédico, além da distribuição de postos de assistência e hidratação pelo percurso.
Também é importante confirmar se há ambulâncias equipadas com DEA (desfibriladores externos automáticos). Em uma emergência, esses equipamentos devem chegar ao participante em até 3 minutos. De acordo com o cardiologista Cristiano Faria Pisani, da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac), a disponibilidade de DEA e de profissionais capacitados para reanimação cardiovascular reduziu a taxa de letalidade em maratonas e meias-maratonas de 71% para 34% entre 2000-2009 e 2010-2023.
Antes da largada
Dados da Associação Brasileira de Organizadores de Corridas de Rua e Esportes Outdoor (ABRACEO) indicam que o número de corridas de rua cresceu 85% em relação a 2024. Já em 2024, o aumento havia sido de 24% na comparação com o ano anterior.
Com a expansão das provas, especialistas recomendam que o participante faça uma avaliação médica antes de iniciar os treinos ou disputar o evento. O objetivo é identificar fatores de risco e problemas de saúde ainda não diagnosticados.
Segundo o cardiologista Eduardo Segalla de Mello, do Einstein Hospital Israelita, a triagem pré-participação recomendada pela Associação Americana do Coração deve incluir histórico cardiovascular, exame físico e eletrocardiograma em repouso. O médico também recomenda treinamento estruturado com preparador físico, especialmente para reduzir riscos relacionados à falta de preparo.
Hipertensão, colesterol alto, diabetes e o hábito de fumar devem permanecer sob controle. Hidratação, ingestão de eletrólitos e alimentação também exigem atenção, de preferência com orientação de nutricionista. No dia da prova, não é indicado experimentar estratégias de alimentação, hidratação ou suplementação que não tenham sido usadas nos treinos.
Quando interromper a corrida
Falta de ar intensa, palpitações, dor no peito, tontura, visão turva, palidez, sensação de calor ou sudorese acima do habitual são sinais para parar a atividade e procurar atendimento médico.
Infecções e indisposições também podem comprometer a resposta do organismo ao esforço. Gripe, diarreia e uma noite mal dormida estão entre as situações em que os especialistas recomendam não forçar a atividade.
Cristiano Faria Pisani alerta que problemas cardiológicos desconhecidos podem provocar sobrecarga do coração durante esforços acima do habitual, desencadeando arritmias graves e, em casos extremos, parada cardíaca.







