A preparação para treinos de alta intensidade exige adaptação gradual do sistema cardiovascular e do sistema musculoesquelético. Para quem está sedentário, o processo até alcançar esse nível com segurança leva, em média, de 6 a 8 meses.
A mudança repentina eleva a necessidade de oxigênio e energia e pode provocar picos de pressão arterial, arritmias, infarto e problemas nas articulações. Vagner Vinicius, cardiologista do Hospital Mantevida, afirma que o coração de uma pessoa sedentária não está acostumado a esse esforço e precisa acelerar de forma intensa quando a carga aumenta sem preparação.
Riscos cardíacos e ortopédicos
A sobrecarga pode revelar uma condição cardíaca preexistente ainda não diagnosticada. De acordo com Vinicius, a intensidade excessiva pode desencadear arritmia, infarto e, em situações mais graves, parada cardíaca. Ele ressalta que esses eventos são pouco frequentes e recomenda respeitar os limites individuais e aumentar o esforço aos poucos.
O sistema musculoesquelético também precisa de estímulo contínuo para manter músculos e tendões fortes. Sem essa adaptação, a carga recai com mais intensidade sobre ossos e articulações. Entre os problemas associados a esse avanço sem preparação estão mialgias, tendinites, estiramentos, rupturas de ligamentos e fraturas por estresse.
Daniel Santos, professor de Educação Física e líder técnico do departamento Fitness da Academia D’stak, explica que músculos e tendões ajudam a proteger as articulações e o esqueleto. Quando estão enfraquecidos, a estrutura óssea e articular fica mais exposta aos impactos.
Descanso e progressão
A ausência de recuperação proporcional pode causar a síndrome do excesso de treinamento, também chamada de overtraining. O desequilíbrio entre a carga e o descanso pode levar a fadiga crônica, dores persistentes, queda na imunidade e aumento da frequência cardíaca em repouso.
Segundo Santos, o reparo dos tecidos ocorre durante a recuperação. A progressão inclui cerca de 3 a 4 semanas de adaptação neuromuscular, 12 semanas para formar uma base de condicionamento e mais 8 a 12 semanas voltadas para força e potência.
A avaliação médica e a orientação profissional são indicadas antes do aumento da intensidade. Dor no peito, tontura ou falta de ar intensa exigem a interrupção imediata do exercício. “Quem está saindo do sedentarismo precisa começar devagar, ganhar condicionamento e só depois aumentar a intensidade”, resume Vinicius.








