O ministro Flávio Dino pediu vista nesta terça-feira (15) e interrompeu no Supremo Tribunal Federal (STF) o julgamento que pode resultar na investigação de Alexandre de Moraes. A suspensão ocorreu após um confronto entre ministros durante a sessão.
Luiz Fux antecipou o voto em uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes e conduzida por Dino. A proposta prevê o julgamento conjunto de Moraes e André Mendonça, com a reunião de dois processos e a distribuição por sorteio. A medida retiraria do presidente do STF, Edson Fachin, o controle sobre as relatorias dos casos.
Fux acompanhou Mendonça e Fachin e defendeu a manutenção da pauta. Na abertura da segunda parte da sessão, Fachin afirmou que a relatoria era legítima e que o processo deveria continuar concentrado em seu tema principal.
Confronto durante a sessão
O atrito começou depois que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, rejeitou a alegação de Mendonça sobre sua menção em mensagens atribuídas ao banqueiro Vorcaro. Moraes afirmou que a referência aparecia apenas em uma captura de tela que não havia sido enviada a nenhum contato. Gonet declarou que nunca teve contato com o banqueiro.
Mendonça iniciou uma manifestação e foi interrompido por Gilmar Mendes. O ministro acusou o colega de fazer uma interpretação leviana e pediu respeito a Gonet. Aos gritos, Mendonça reagiu; Gilmar respondeu: “pode chorar”.
Dino solicitou que Fachin usasse o poder de polícia para conter os ânimos. Mendonça disse ter sido agredido e criticou a condução da sessão. Dino também classificou o encontro como “desastrado”, citou a proximidade das eleições e afirmou que a situação poderia piorar com a análise de mensagens de Fux e Nunes Marques. Fux negou ter mantido contato com o dono do Banco Master.
Processos e impedimentos
A sessão extraordinária tinha como único item a Pet 16.662, que reúne informações sobre as relações entre Moraes e Vorcaro. O material inclui mensagens atribuídas pela Polícia Federal (PF) ao banqueiro, contratos com o escritório Barci de Moraes e registros de reuniões.
Fachin retirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news, em tramitação desde 2019, e determinou o envio à Presidência dos procedimentos relacionados. Também mandou remeter à Presidência processos ligados ao caso Master e às fraudes no INSS. Em seguida, assumiu a relatoria da Pet 16.662.
Dino defendeu que Fachin deixasse as relatorias e que os casos fossem distribuídos por sorteio. A questão foi encaminhada a Gilmar Mendes, apontado por Dino como o próximo na linha sucessória, porque Fachin participa da discussão e Moraes, vice-presidente, é parte no processo.
As mensagens analisadas incluem pedidos para “bloquear” e “afastar todo mal”. Em 15 de novembro de 2025, Vorcaro perguntou se deveria estar fora até a segunda-feira seguinte e mencionou o juiz Ricardo. O mandado de prisão foi expedido por Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal.
Gonet apontou uma “dupla nulidade” na investigação: Mendonça não poderia exercer atribuições próprias da apuração, e medidas investigativas contra integrante do STF dependeriam de autorização do Plenário.
Nunes Marques se declarou impedido. A PF associou o nome de seu filho, Kevin Marques, a uma referência de R$ 500 mil mensais. O ministro negou que o filho tivesse prestado serviços ou recebido dinheiro do Banco Master e disse nunca ter atuado em favor de Vorcaro. Dias Toffoli declarou suspeição por motivo de foro íntimo e lembrou que já havia se afastado de processos relacionados ao caso Master.








