SÃO PAULO — A investigação da Polícia Federal identificou R$ 645,4 mil enviados pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP) à Go Up Entertainment, empresa de Karina Ferreira da Gama, produtora do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A análise também registrou que Frias destinou R$ 2 milhões, por meio de duas emendas parlamentares, ao ICB (Instituto Conhecer Brasil), presidido por Karina Gama. A apuração teve origem em uma auditoria da Controladoria Geral da União sobre a execução de emendas.
Operação Make Up
A Polícia Federal considera Frias um “agente central” do esquema investigado na operação Make Up. A ação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, para apurar o financiamento do filme. Foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Karina Gama também foi alvo da operação.
A investigação não afirma que o dinheiro das emendas tenha sido usado na produção de “Dark Horse” nem que o filme faça parte da organização criminosa sob apuração. A relação descrita pelos investigadores envolve a produtora, pessoas e empresas investigadas e as movimentações financeiras examinadas.
Movimentação financeira
A PF apontou que Frias tinha rendimentos mensais de R$ 44.008,52 e afirmou que esse dado levanta dúvidas sobre a capacidade financeira para sustentar os repasses feitos à empresa de Karina Gama durante o período analisado.
Na decisão, Flávio Dino escreveu que existem “fortes indícios de uma única organização criminosa, estruturada para captar, disseminar e ocultar recursos provenientes de verbas públicas”. A investigação descreve transferências entre o parlamentar, a entidade executora, a empresa contratada e outra organização beneficiária como um circuito financeiro fechado.
O gabinete de Mario Frias e a defesa da Go Up Entertainment foram procurados para comentar a operação, mas não responderam até a publicação. O conteúdo poderá ser atualizado se houver manifestação.








