SÃO PAULO — A produtora Go Up Entertainment movimentou R$ 19 milhões entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, período parcialmente coincidente com as filmagens de “Dark Horse”, realizadas em São Paulo. A Polícia Federal investiga se parte dos recursos recebidos pela empresa tem relação com emendas parlamentares destinadas pelo deputado Mario Frias (PL-SP).
A operação Make Up, deflagrada nesta 5ª feira (10.set.2026), apura suspeitas de desvio e ocultação de recursos públicos, além de possíveis irregularidades no financiamento do filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Frias é produtor-executivo da obra e está entre os alvos da investigação.
Movimentações sob análise
A PF identificou R$ 2 milhões em 2 emendas apresentadas por Frias e destinadas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB). Parte desse dinheiro foi usada no Termo de Fomento nº 971232, que resultou em pagamentos de R$ 700 mil à Dinâmica Editora e ao Instituto Super Poder Educacional.
Segundo a representação da corporação, as duas empresas pertencem ao mesmo grupo empresarial da NTT Brasil. No período analisado, a NTT Brasil transferiu R$ 750 mil à Go Up Entertainment. A PF classificou o valor como “quase que exatamente correspondente” aos R$ 700 mil pagos pelo ICB às empresas do grupo.
Frias também enviou R$ 645,4 mil diretamente à produtora em menos de 60 dias. A corporação informou que o deputado tinha rendimentos mensais de R$ 44.008,52 e colocou “em questão o lastro financeiro” dos repasses. Para os investigadores, os valores são “materialmente incompatíveis” com os rendimentos declarados e com os créditos encontrados nas contas analisadas.
A PF descreve Frias como “agente central” e afirma haver “fortes indícios de uma única organização criminosa”.
Decisões judiciais
Karina Gama, sócia da Go Up, preside o ICB e a Academia Nacional de Cultura (ANC). Ela também é alvo da operação. A PF apontou que, entre os principais remetentes dos R$ 19 milhões movimentados pela produtora, estavam a NTT Brasil, com R$ 750 mil, e Frias, com R$ 645,4 mil.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizou 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Os investigados foram proibidos de se comunicar entre si, e Frias e outros alvos tiveram a saída do país proibida, com recolhimento de passaportes.
Empresas e entidades investigadas também foram impedidas de contratar com o poder público. A apuração, mantida no STF, envolve suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.








