SÃO PAULO — Marcello Lopes, ex-marqueteiro da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e amigo do senador, transferiu R$ 1 milhão para a Go Up Entertainment Ltda., produtora do filme “Dark Horse”, inspirado na vida de Jair Bolsonaro. O pagamento ocorreu em dezembro de 2025.
Lopes, conhecido como Marcelão, afirmou que o repasse foi solicitado pelo deputado federal Mario Frias. “Mario Frias que pediu, estava desesperado”, disse o publicitário. O contrato com a produtora, porém, só foi assinado 6 meses depois, em junho de 2026.
O repasse aparece na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou a operação da Polícia Federal realizada nesta 5ª feira (10.set.2026) contra Karina Gama, dona da produtora, e Mario Frias.
Movimentações da produtora
A Go Up Entertainment movimentou R$ 19 milhões entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, conforme a representação analisada pela Polícia Federal. Entre os principais remetentes estavam a NTT Brasil, com R$ 750 mil, e Frias, com R$ 645,4 mil.
O filme foi gravado em São Paulo de 20 de outubro a 7 de dezembro de 2025. A Polícia Federal apontou uma “coincidência temporal” entre as filmagens e as movimentações financeiras, além de pagamentos a empresas de hotelaria, alimentação e produção.
Um dos pagamentos identificados foi de R$ 906,7 mil ao Hotel Unique São Paulo. A corporação também registrou que os rendimentos mensais de Frias eram de R$ 44.008,52 e questionou o lastro financeiro para transferências feitas à empresa em menos de 60 dias. Para a PF, os repasses são “materialmente incompatíveis” com os rendimentos declarados e com os créditos encontrados nas contas analisadas.
A investigação também aponta que o Instituto de Cultura Brasileira recebeu R$ 2 milhões de 2 emendas apresentadas por Frias. Depois, a Dinâmica Editora e o Instituto Super Poder Educacional receberam R$ 700 mil do instituto, no Termo de Fomento nº 971232. A NTT Brasil transferiu R$ 750 mil à Go Up, enquanto Frias enviou R$ 645,4 mil diretamente à produtora.
Operação autorizada pelo STF
Flávio Dino autorizou a Operação Make Up, conduzida pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União. Foram autorizados 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Frias e Karina Gama estão entre os alvos.
Os investigados foram proibidos de manter contato entre si. A apuração, sob relatoria de Dino, investiga possíveis irregularidades na execução de emendas parlamentares e suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.
Karina Gama também preside o ICB e a ANC (Academia Nacional de Cultura).








