LÁBREA (AM) — Dezoito grupos de extrativistas da Fazenda Nova Fronteira passaram a usar um mapa digital com a localização de milhares de castanheiras-da-amazônia. Disponível em celulares mesmo sem internet, a ferramenta ajuda a definir divisas, evitar deslocamentos desnecessários e ampliar a área explorada.
Cada árvore recebe um endereço geográfico único. O inventário foi produzido pela tecnologia Netflora, desenvolvida por pesquisadores da Embrapa Acre com uso de drones e algoritmos de inteligência artificial para identificar castanheiras e outras espécies florestais em imagens aéreas. Outras duas comunidades extrativistas também utilizam a plataforma.
Planejamento das trilhas
O pesquisador Luciano Ribas, da Embrapa Acre, afirma que o mapa foi criado para apoiar o planejamento da safra. A identificação de árvores próximas às trilhas permite reorganizar os percursos e aumentar a eficiência da coleta. Em períodos de baixa produção, o maior número de árvores mapeadas pode ajudar a compensar perdas.
A extrativista Maria Maia relata que o aplicativo facilitou a definição dos limites entre as áreas de coleta. Ela aprendeu a utilizar a ferramenta com a irmã, Eliane Santos. O coletor Raimundo Medeiros Sobral, que trabalha na atividade há uma década, disse ter encontrado castanheiras cuja existência desconhecia.
Eduardo Nascimento percorre até 7 km por dia na floresta. Ele estima ter de 400 a 600 castanheiras em sua área, mas costuma colher cerca de 250. Com o mapa, pretende verificar quais árvores são produtivas.
Os mapas também mostram árvores localizadas em uma faixa de 200 metros de cada lado das trilhas. Segundo Ribas, a ferramenta identifica castanheiras além dos 70 metros considerados o campo de visão dos coletores dentro da floresta. A definição dos novos percursos continua dependendo da avaliação dos extrativistas.
Capacitação e conservação
O projeto, realizado há 2 anos pela Embrapa Acre, Future Climate e Fazenda Nova Fronteira, também ofereceu capacitações em boas práticas de produção, manejo, planejamento de rotas, prevenção de contaminação, armazenamento e uso de equipamentos de proteção individual.
A pesquisadora Cleísa Cartaxo disse que os conteúdos foram adaptados às características do grupo. Cartilhas impressas foram substituídas por vídeos no YouTube, com orientações sobre o aplicativo, o mapa, os equipamentos de proteção e as práticas de produção.
A área integra o Projeto Rio Madeira REDD+, iniciativa de produção de créditos de carbono que prevê a conservação de 52.000 hectares de floresta entre Amazonas e Rondônia, perto da divisa com o Acre. O projeto prevê mitigar mais de 15 milhões de toneladas de CO₂ em 30 anos.








