A líder opositora María Corina Machado defendeu que a Venezuela realize eleições presidenciais até julho de 2027. Em entrevista, ela afirmou que o país já tem condições de organizar a votação e apoiou a proposta de que o pleito ocorra em 24 de julho, data do nascimento de Simón Bolívar.
Machado disse haver “tempo mais do que suficiente” para preparar a eleição. Ela também reconheceu uma divergência com o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a velocidade da transição política venezuelana.
Divergência sobre o prazo
A Venezuela continua sem uma data definida para novas eleições. O regime chavista interino, liderado por Delcy Rodríguez desde a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, não estabeleceu um prazo para o pleito.
Em setembro, Rodríguez afirmou durante discurso na Assembleia Geral da ONU que o país teria eleições, mas não apresentou uma data. Trump declarou, em entrevista publicada no início deste mês, que ainda é “cedo demais” para os venezuelanos votarem. O presidente americano disse que pretende discutir o assunto com Delcy, sem fixar um prazo.
Machado afirmou que sua discordância com o governo Trump está principalmente relacionada ao ritmo das mudanças. “As coisas poderiam avançar mais rapidamente e de maneira contínua, sem qualquer risco de instabilidade no país”, disse. A opositora afirmou que já tentou retornar à Venezuela 7 vezes, sem sucesso.
Além de pedir eleições, María Corina cobrou transparência sobre o dinheiro obtido pelo regime com a venda do petróleo venezuelano, atualmente sob supervisão dos Estados Unidos. Segundo ela, os venezuelanos devem ter acesso às informações sobre os recursos arrecadados e sua utilização.
Machado mora atualmente no Panamá e responsabiliza o regime chavista pelas dificuldades para voltar à Venezuela. Ela venceu o Prêmio Nobel da Paz de 2025.
Representantes do chavismo e de parte da oposição negociam mudanças institucionais para preparar uma futura eleição. Entre os temas estão a substituição de integrantes do Conselho Nacional Eleitoral e do Tribunal Supremo de Justiça, além da atualização do cadastro de eleitores.
María Corina e Edmundo González, candidato opositor na eleição presidencial de 2024, não participam das negociações.








