O programa Move Brasil liberou R$ 4 bilhões em financiamentos e viabilizou a comercialização de 40 mil veículos em dois meses, informou Uallace Moreira, secretário do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O valor corresponde a 13,3% dos R$ 30 bilhões autorizados para a iniciativa.
Criado em maio, o programa foi estruturado para motoristas de aplicativo e taxistas comprarem veículos novos. A operação é feita pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou por instituições financeiras habilitadas pelo banco, que assumem os riscos das operações, inclusive o de crédito.
A linha pode financiar até 100% do valor do automóvel, com carência de seis meses. Os juros são limitados a 12,6% ao ano para homens e 11,5% para mulheres. O programa deve vigorar até 15 de setembro.
Crédito restringe acesso
De acordo com o governo, reprovações na análise de crédito, dificuldades operacionais e o baixo interesse de bancos privados prejudicam a execução. O Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), que reduz o risco das instituições financeiras, só começou a funcionar em 2 de julho, duas semanas depois do início da operação, em 19 de junho.
A participação no programa não elimina a análise de crédito dos bancos. Eduardo Lima de Souza, presidente da Associação de Motoristas de Aplicativo de São Paulo (Amasp), afirma que 92% da categoria tem restrições no CPF. A entidade representa aproximadamente 44 mil trabalhadores.
No dia 18, o governo publicou uma portaria que elevou para R$ 200 mil o limite de financiamento e incluiu novos tipos de veículos híbridos entre os modelos elegíveis. Souza avalia que a mudança não resolve o problema enquanto os bancos continuarem barrando pessoas com restrições no nome.
O professor de Finanças do Ibmec Samuel Barros atribui o desempenho do programa a uma sequência de fatores, entre eles a expectativa de que pessoas com nome sujo teriam acesso ao crédito. Ele defende garantias mais robustas, critérios claros para separar a elegibilidade da aprovação e medidas para melhorar o perfil de crédito dos motoristas.
Veículos importados e queda no interesse
O regulamento não exige produção nacional, o que permite financiar veículos importados prontos ou modelos montados no Brasil com kits trazidos do exterior. O formato foi criticado por favorecer fabricantes chinesas, como a BYD.
O programa também perdeu interesse nas buscas do Google. O termo “Move Brasil” atingiu índice 100 entre 13 e 20 de junho, no início da operação. Em julho e agosto, o indicador ficou, na maior parte do tempo, próximo de 20 a 30, uma queda de cerca de 70% a 80% em relação ao pico.
A iniciativa foi criada pela Medida Provisória 1.359/2026, com o objetivo declarado de apoiar trabalhadores de mobilidade urbana. O governo também associou o programa à tentativa de recuperar o apoio de motoristas de aplicativo. Guilherme Boulos, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, conduziu o grupo de trabalho para a regulamentação dos aplicativos de transporte.








