Nunes Marques anunciou que não participará da análise, pelo Supremo Tribunal Federal, do relatório da Polícia Federal sobre a relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O ministro preside o Tribunal Superior Eleitoral e afirmou que o caso pode ter impacto eleitoral, o que tornaria imprópria sua participação no julgamento.
Antes de deixar o plenário, o ministro rejeitou a existência de vínculo profissional ou financeiro entre o banco e seu filho, o advogado Kevin Marques. A declaração ocorreu nesta 3ª feira (15.set.2026), depois que mensagens extraídas do celular de Vorcaro mencionaram um possível pagamento de R$ 500 mil.
“Meu filho nunca prestou nenhum serviço ao banco e nunca foi remunerado pelo banco”, afirmou Kassio Nunes Marques. Ele também disse que nunca julgou processo relacionado ao Banco Master e que sua isenção estaria comprovada pelos votos que proferiu.
O ministro negou ainda ter mantido conversas com o fundador do banco. “Não há registro de nenhuma mensagem minha com Daniel Vorcaro”, declarou.
As mensagens citadas na sessão incluem uma comunicação atribuída a Luiz Rennó, então diretor jurídico do Banco Master. Enviada às 10h41 do dia 4 de julho de 2025, ela mencionaria um arquivo com o nome de Kevin Marques e perguntaria: “Esse aqui —500 mil mês— mantém?”.
Também foram mencionadas mensagens trocadas por Vorcaro com uma mulher identificada como Rayanna, nos meses de fevereiro e março de 2025. Em uma delas, aparece a referência a um encontro com mulheres e a afirmação de que uma delas “ficou com o Kassio”.
Julgamento no Supremo
Os ministros começaram nesta 3ª (15.set.2026) a analisar se a Polícia Federal poderá prosseguir com as apurações sobre a relação entre Moraes e Vorcaro. O relatório foi tornado público em 1º de setembro pelo relator, André Mendonça, e afirma que o fundador do Banco Master teria pedido interferência do ministro antes de ser preso, em 17 de novembro de 2025.
O documento também aponta contratos entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes.
A Procuradoria Geral da República afirmou, em manifestação de 1º de setembro, que o procedimento da PF era inválido. O órgão sustentou que Mendonça teria determinado diligências contra pessoas específicas sem pedido do Ministério Público ou iniciativa da PF e que uma investigação contra ministro do Supremo dependeria de autorização do plenário.
Moraes pediu que Mendonça fosse investigado por abuso de autoridade e improbidade administrativa. O presidente do STF, Edson Fachin, assumiu a relatoria do procedimento. O julgamento separado sobre o caso foi marcado para 23 de setembro.








