Lito Sousa recebeu um medicamento experimental estudado para a doença de Creutzfeldt-Jakob e permanece estável na UTI, informou a esposa dele, Mila Seidl. Segundo ela, o especialista em aviação não teve intercorrências relacionadas à medicação e já estava internado por complicações da própria doença.
A resposta ao tratamento ainda não pode ser avaliada. Mila afirmou que serão necessárias de seis a sete semanas para observar os efeitos do medicamento, que continua em fase de estudos e não tem eficácia garantida em humanos.
Importação e aplicação
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a importação e o uso excepcional da substância no dia 4 de setembro. O pedido foi feito pelo Einstein Hospital Israelita após Lito ser aceito em um programa de uso compassivo.
A medicação chegou ao Brasil no dia 11 de setembro. Parte foi enviada da Suíça e outra dos Estados Unidos. Um dos voos foi cancelado por um problema técnico e remarcado para o dia seguinte.
Como o medicamento tinha estabilidade limitada e precisava ser administrado em até três horas depois da chegada, a equipe usou um helicóptero para levá-lo do Aeroporto de Guarulhos ao Hospital Israelita Albert Einstein.
Mila agradeceu à Anvisa, à Receita Federal, à Polícia Federal e aos profissionais envolvidos. Ela explicou que a substância é um tipo de RNA desenvolvido para silenciar os príons, proteínas associadas à doença. Dados de estudos com animais foram considerados promissores, mas ainda não há informação sobre o comportamento do tratamento em humanos.
Doença de Creutzfeldt-Jakob
A doença de Creutzfeldt-Jakob faz parte do grupo das doenças priônicas, condições neurodegenerativas raras causadas por príons. Essas partículas surgem quando proteínas normalmente presentes no corpo mudam de formato e se acumulam no cérebro.
Os sintomas podem incluir demência, perda de memória, perda de equilíbrio motor, dificuldade na fala, falta de coordenação, distúrbios visuais, espasmos musculares e alterações de comportamento. O quadro costuma piorar de forma rápida e progressiva.
De acordo com o Ministério da Saúde, entre 2005 e 2021 foram registradas no Brasil 1.576 notificações de casos suspeitos. A forma mais comum da doença ocorre a uma taxa de 1 ou 2 novos casos por milhão de pessoas a cada ano no mundo.








