O relatório da Polícia Federal sobre mensagens enviadas por Daniel Vorcaro a um número identificado como pertencente a Alexandre de Moraes poderá ser analisado pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. A inclusão do caso na pauta depende de Edson Fachin, presidente da Corte.
O documento, produzido a pedido de André Mendonça, reúne 52 mensagens encaminhadas entre 28 de outubro e 17 de novembro de 2025, quando Vorcaro foi preso pela primeira vez. Mendonça retirou o sigilo do material e o enviou à Procuradoria-Geral da República na segunda-feira.
O ministro pediu que a PGR avalie os elementos encontrados e a possibilidade de abertura de uma investigação. Ele também solicitou à Polícia Federal que reunisse, em 72 horas, todas as menções a Moraes, Andrei Rodrigues e Paulo Gonet no material apreendido com Vorcaro.
Conteúdo das mensagens
Nas conversas, o então dono do Banco Master relatou informações sigilosas sobre investigações envolvendo a instituição e pediu ajuda para conter ou retardar ações da Polícia Federal e do Ministério Público. Ele também perguntou sobre a possibilidade de recorrer a Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, e Paulo Gonet, procurador-geral da República.
Antes de ser preso, Vorcaro escreveu: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Horas antes da prisão, perguntou se Moraes havia obtido alguma informação ou conseguido “bloquear” a operação. Em outra mensagem, pediu reforço a “Andrei e Paulo para não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem”.
As mensagens foram redigidas no bloco de notas do celular, capturadas em imagens e enviadas como visualização única. As respostas atribuídas a Moraes não foram recuperadas pela PF. O relatório registra, portanto, os pedidos feitos por Vorcaro, mas não permite identificar, na maioria dos episódios, o que o ministro respondeu nem comprova que as solicitações tenham sido atendidas.
Após o envio do documento, Gonet pediu sua anulação. O procurador-geral afirmou que Mendonça não poderia ordenar diretamente à PF o aprofundamento da apuração sobre outro ministro sem autorização do plenário do STF ou iniciativa do Ministério Público. Mendonça conversou com Fachin sobre a possibilidade de incluir o caso no plenário físico.








