Fundos da JPMorgan Asset Management e da BlackRock estão ampliando o interesse por títulos de mercados emergentes enquanto a dívida pública das principais economias perde valor. A inflação pressionada pela energia e as preocupações com as contas públicas elevaram o risco de juros mais altos nos Estados Unidos, no Japão e em outros mercados desenvolvidos.
A dívida emergente em moeda local acumula retorno superior a 3% neste ano. No mesmo período, os Treasuries americanos e títulos equivalentes europeus recuaram 0,6%, conforme dados compilados pela Bloomberg.
Inflação e política monetária
Parte dos países em desenvolvimento foi menos afetada pela onda global de vendas porque combina inflação relativamente controlada, políticas monetárias restritivas e situação fiscal mais sólida. A inflação média dessas economias está em 3,8%, segundo o JPMorgan, aproximadamente um terço do nível observado durante o choque de 2022. O banco calcula que os formuladores de política monetária têm cerca de 1 ponto percentual adicional de margem para reagir às pressões de preços em comparação com quatro anos atrás.
Brasil, Turquia e Hungria reduziram os custos de empréstimos em agosto. Coreia do Sul e Filipinas apertaram a política monetária, enquanto o banco central tcheco manteve os juros depois de elevá-los em junho.
Para Pierre-Yves Bareau, diretor de investimentos para dívida de mercados emergentes da JPMorgan Asset Management, a turbulência nos títulos globais aumenta a atratividade desses mercados por ajudarem a diversificar a renda. A gestora de portfólio Elina Theodorakopoulou, da Manulife Investment Management, classificou o movimento como uma oportunidade relativa para a dívida emergente global.
A T. Rowe Price prefere títulos em moeda local do Brasil, Hungria, México e África do Sul. Chris Kushlis, estrategista da instituição, avalia que os juros locais devem permanecer relativamente estáveis diante da pressão sobre os títulos dos países desenvolvidos.
Preferências dos gestores
Michel Aubenas, chefe de dívida de mercados emergentes da BlackRock, busca países cujos bancos centrais possam surpreender ao manter as taxas inalteradas. A BlackRock e o Societe Generale preferem o mercado tcheco. As cotações indicam uma alta de 25 pontos-base até o fim deste ano e de 100 pontos-base até meados de 2027, mas o SocGen projeta a manutenção dos juros do banco central tcheco em 3,75% no futuro previsível.
Juan Orts, estrategista do SocGen, considera exageradas as apostas de que o Banco Nacional da Polônia fará três altas de 25 pontos-base. Os fundos de Bareau, do JPMorgan, priorizam títulos em moeda local e dívida soberana de grau especulativo. “O mercado é sempre agressivo demais”, afirmou o executivo.
O crescimento das economias emergentes deve ficar próximo de 3,7% neste ano. Esse ritmo contribui para melhorar as finanças públicas e para uma tendência favorável nas classificações de crédito de Argentina, Gana e Nigéria.
Enquanto isso, o aumento dos gastos e das pressões fiscais nos governos de grandes economias desenvolvidas tem elevado os rendimentos dos títulos. Thomas Christiansen, da Union Bancaire Privee, disse que essa situação torna os mercados emergentes mais interessantes e pode explicar parte dos movimentos recentes na dívida dos países desenvolvidos.








