O economista e ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwartsman afirmou neste domingo (4.out.2026) que o próximo presidente deverá apresentar já em 2027 um conjunto de medidas para conter o avanço da dívida pública. Para ele, a estabilização exigiria um superavit primário entre 2% e 2,5% do PIB em condições favoráveis.
Schwartsman disse que o governo deve encerrar 2026 com deficit primário e que o adiamento das decisões aumentará a dificuldade nos anos seguintes. “Cada ano que você passa sem fazer isso, o problema só aumenta”, declarou.
Despesas obrigatórias
Na avaliação do economista, um ajuste fiscal dessa dimensão não poderia se limitar a ações de eficiência administrativa ou ao combate a supersalários. As mudanças precisariam alcançar despesas obrigatórias, a Previdência, a regra de valorização do salário mínimo, as vinculações e as indexações do Orçamento.
Entre as propostas mencionadas está a elevação da idade mínima de aposentadoria de 65 para 67 anos, além da aproximação das regras aplicadas a diferentes grupos. Schwartsman ressaltou que alterações previdenciárias afetariam futuros aposentados, porque benefícios já concedidos não poderiam simplesmente ser reduzidos.
O economista também afirmou que as medidas dependeriam de aprovação do Congresso. “Tem um conjunto de medidas que precisa ser não só encampado pelo candidato que vire presidente, mas também que precisa passar pelo Congresso”, disse.
Projeções e PEC da Transição
O Tesouro Nacional estimou deficit primário de 0,4% do PIB em 2026 e de 0,1% em 2027. A instituição afirmou que serão necessárias medidas adicionais para cumprir a trajetória das metas fiscais nos anos seguintes.
Schwartsman demonstrou ceticismo sobre concentrar o ajuste em uma eventual PEC da Transição. Segundo ele, a elevada participação das despesas obrigatórias reduz o espaço para um corte amplo em uma única proposta.
Como possibilidade de emenda constitucional, citou o fim das vinculações dos pisos de gastos com saúde e educação à receita. Outras alterações, afirmou, exigiriam propostas específicas e debate no Congresso. “Não é mais a questão de uma medida pontual”, declarou.








