Mais de 251 toneladas de produtos médicos contrabandeados foram apreendidas na África Central entre 2020 e 2025, segundo relatório da Organização das Nações Unidas. Entre os itens estavam antibióticos, antimaláricos e substâncias psicoativas, como tramadol e pregabalina.
O documento foi elaborado pelo Escritório da ONU sobre Drogas e Crime (Unodc), pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Comunidade Econômica e Monetária da África Central (Cemac). O relatório classifica o tráfico como uma ameaça à saúde pública, ao desenvolvimento econômico e à segurança regional.
Produtos falsificados ou de baixa qualidade podem provocar falhas no tratamento, intoxicações e mortes. Em 2023, 12 crianças morreram nos Camarões após ingerirem um xarope produzido com excipientes contaminados.
Rotas e impactos
Sylvie Bertrand, representante regional do Unodc para a África Ocidental e Central, afirmou que grupos criminosos lucram com o comércio ao explorar vulnerabilidades sanitárias. De acordo com ela, o sistema usa rotas marítimas, fluviais, aéreas e terrestres e envolve diferentes participantes.
O relatório também relaciona a atividade à perda de receitas fiscais, à corrupção, à obstrução da Justiça e à violência. As recomendações incluem impedir que os produtos sejam usados como recurso estratégico por grupos armados para financiar conflitos e enfraquecer o Estado de Direito.
As autoridades são orientadas a combinar ações de saúde pública, justiça penal e cooperação internacional. Rutendo Kuwana, chefe da Vigilância e Controle do Mercado da OMS, afirmou que os produtos contrafeitos e de baixa qualidade representam risco à saúde e à confiança no sistema. A organização informou que apoiará o reforço da vigilância e da proteção dos pacientes.
Regulação farmacêutica
O tráfico inclui o desvio de produtos de cadeias de abastecimento legítimas, a distribuição por agentes não autorizados e a importação ilegal. A maior parte dos itens desviados viria de países exportadores que abastecem a África Central. Ásia, Europa e laboratórios clandestinos da Cemac foram apontados como locais de fabricação.
A Cemac mantém uma Política Farmacêutica Comum desde 2013 e pretende aplicar as recomendações, adotar uma estratégia contra o crime organizado transnacional e integrar o combate ao tráfico às respostas para os desafios regionais.








