A substância autorizada para Lito Sousa ainda não foi testada em humanos, informou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O produto está antes do desenvolvimento clínico e não tem estudos formalmente iniciados para a doença priônica em pessoas.
Na sexta-feira, 4, a agência permitiu a importação e o uso excepcional do medicamento experimental pelo influenciador e especialista em aviação, diagnosticado com Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ). A importação será feita pela equipe de Lito.
O pedido foi apresentado pelo Einstein Hospital Israelita, conforme a Anvisa. Lito foi aceito em um programa de uso compassivo do tratamento em desenvolvimento. Esse mecanismo pode ser utilizado em casos de doença grave sem opções terapêuticas eficazes aprovadas por agências regulatórias.
A Anvisa afirmou que levou em conta a evolução rápida, letal e irreversível da enfermidade. A autorização excepcional também considerou a ausência de patrocinador ou representante responsável pelo produto no Brasil.
Posicionamento da família
Mila Seidl, esposa de Lito, rejeitou comentários de que teria havido ajuda especial para obter o medicamento. Ela disse que o processo foi conduzido pelo casal, com a participação dos médicos que acompanham o caso, após a circulação de informações falsas sobre a liberação.
“Isso não é uma regalia nossa. É um direito de qualquer pessoa que está numa situação semelhante”, afirmou Mila. Em vídeos nas redes sociais, ela também negou que ministro, empresário ou a própria Anvisa tenham conseguido ou financiado a medicação.
Doença de Creutzfeldt-Jakob
A DCJ é uma doença priônica rara e sem cura. Ela ocorre quando proteínas normalmente presentes no corpo mudam de formato e se acumulam no cérebro. A origem da proteína anormal é desconhecida em muitos casos, e a doença pode atingir humanos e animais.
A forma mais comum de doença priônica em humanos é a DCJ, classificada como um tipo de Encefalopatia Espongiforme Transmissível. Entre os possíveis sinais estão demência, perda de memória, falta de coordenação motora, distúrbios visuais, espasmos musculares, alterações de comportamento, dificuldade na fala e perda do equilíbrio.
O Ministério da Saúde informa que os sintomas podem ser confundidos com demências e outros transtornos neurológicos progressivos, como Alzheimer e doença de Huntington. Depois do início dos sinais, o quadro apresenta piora rápida e progressiva, podendo incluir insônia, depressão, ataques epiléticos e paralisia facial.








