SÃO PAULO — A bajulação e a submissão constante podem ser respostas a traumas relacionais, segundo a psicóloga Ingrid Clayton. Ela explica que algumas pessoas aprendem a se aproximar da fonte de ameaça e a agradá-la como forma de buscar segurança, em vez de lutar, fugir ou ficar paralisadas.
Autora de A Quarta Reação, Clayton estará na Bienal do Livro de São Paulo para discutir o tema. Ela participará da mesa “O Peso de Agradar”, com a escritora Marcela Ceribelli, no domingo, 6, a partir das 17h30, no Espaço Saúde e Bem-Estar.
A chamada quarta reação
O conceito é apresentado no livro como fawning, termo em inglês traduzido como bajulação. O comportamento pode aparecer em casa, na faculdade ou no trabalho. A pessoa tenta ser prestativa, agradável, conciliadora ou indispensável e, com o tempo, pode deixar de reconhecer os próprios desejos e necessidades.
Clayton afirma que essa reação pode ter sido uma adaptação diante de ambientes inseguros. Crianças que dependem de um cuidador ameaçador, por exemplo, podem aprender a observar o humor dele, antecipar suas necessidades, reprimir a raiva e cuidar das emoções alheias.
Segundo a psicóloga, o problema surge quando a estratégia se torna crônica e continua mesmo depois de o perigo original desaparecer. Entre as possíveis consequências estão ansiedade, vergonha, ressentimento, estresse crônico, dificuldade para estabelecer limites, perda de identidade e permanência prolongada em relacionamentos prejudiciais.
Reconhecimento e tratamento
Para identificar um trauma, Clayton considera importante reconhecer que determinada experiência foi traumática. Ela afirma que o trauma complexo envolve ameaças contínuas ou repetidas à segurança, muitas vezes em relações interpessoais.
O tratamento pode incluir terapias focadas no trauma, métodos de dessensibilização, análise da família e outras abordagens. A psicóloga ressalta que não existe uma terapia única adequada para todas as pessoas.
A recuperação, segundo Clayton, envolve desenvolver segurança interna, autonomia e capacidade de permanecer conectado a si mesmo enquanto se relaciona com outras pessoas. Ela também defende que a raiva seja percebida como uma fonte de informação sobre limites ultrapassados e necessidades importantes, em vez de ser automaticamente reprimida.








