O esgotamento profissional tem afetado trabalhadores no início da carreira em meio à cobrança por desempenho, à disponibilidade contínua e à hiperconexão digital. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a Síndrome de Burnout como um fenômeno ocupacional relacionado ao estresse crônico não administrado.
Estudos reunidos na base PubMed Central indicam que a comparação social negativa nas redes pode aumentar a sensação de insuficiência e agravar quadros de ansiedade e depressão entre profissionais recém-chegados ao mercado de trabalho.
Quando o descanso vira ameaça
A pressão por crescimento rápido e produtividade constante ocorre em ambientes corporativos marcados por instabilidade. Para Denise Milk, psicóloga empresarial e especialista em desenvolvimento de lideranças, jovens iniciam a carreira sob a expectativa de aprender, crescer e produzir rapidamente, além de permanecer disponíveis.
O receio de perder oportunidades também afeta a relação com o descanso. “Criamos uma relação perigosa entre valor pessoal e produtividade”, afirma Denise. Segundo ela, a pausa pode ser acompanhada de culpa quando existe a impressão de que outras pessoas estão estudando, trabalhando ou avançando profissionalmente.
A rotina se torna problemática quando o trabalhador passa a acreditar que nunca fez o suficiente. Nesse cenário, o repouso deixa de ser visto como recuperação e passa a ser percebido como ameaça.
Efeitos sobre o organismo
A exposição prolongada a níveis elevados de cortisol pode alterar áreas do cérebro ligadas ao controle emocional e à tomada de decisões. Fabricia Signorelli, psiquiatra especialista em TDAH, TEA e superdotação, explica que a amígdala pode ficar mais ativa e sensível, mantendo o indivíduo em estado constante de alerta.
Segundo a especialista, prejuízos na consolidação da memória e nas funções do córtex pré-frontal podem provocar queda de concentração e descontrole emocional. A exaustão prolongada também pode alterar sistemas de neurotransmissores como serotonina, noradrenalina e dopamina.
O quadro pode deixar de ser isolado e estar associado ao desenvolvimento ou agravamento de transtornos depressivos e de ansiedade.
Sinais e resposta no trabalho
Cansaço que persiste mesmo depois de folgas, irritabilidade, perda de prazer e distanciamento das tarefas estão entre os sinais iniciais. Alguns jovens recorrem ao uso inadequado de estimulantes para manter o rendimento, mas essas substâncias podem apenas criar uma percepção subjetiva de produtividade, sem melhorar necessariamente o desempenho real.
A prevenção exige mudanças nas condições de trabalho, como flexibilização de metas, clareza nas atribuições e ambientes psicologicamente seguros. Denise Milk afirma que a saúde mental no trabalho depende de responsabilidades compartilhadas entre indivíduos, lideranças e organizações.








