Vídeos de desafios alimentares podem influenciar a percepção sobre o tamanho considerado normal para uma refeição, principalmente quando chegam a crianças, adolescentes e pessoas com algum tipo de compulsão alimentar. A avaliação é da psicóloga Flavia Marsola, do Hospital Brasília Águas Claras.
O interesse por esse tipo de conteúdo costuma estar ligado ao exagero, à surpresa e à expectativa sobre o resultado. As competições mostram pessoas tentando consumir grandes quantidades de um alimento ou versões ampliadas de pratos, às vezes dentro de um tempo determinado. Esses elementos favorecem comentários e compartilhamentos e podem ampliar a circulação de vídeos semelhantes.
Marsola afirma que assistir a esses vídeos não leva, por si só, ao desenvolvimento de transtorno ou compulsão alimentar. Segundo ela, o comportamento alimentar reúne fatores biológicos, psicológicos, sociais e ambientais, enquanto a compulsão tem critérios clínicos específicos, entre eles a sensação de perda de controle.
“Quando vemos repetidamente porções enormes associadas à diversão, competição e sucesso, isso pode ir distorcendo pouco a pouco a nossa percepção do que é uma quantidade normal de comida”, explica a psicóloga.
Preparação para as competições
O influenciador digital, youtuber e atleta de competições de comida Ricardo Corbucci relata que se prepara com uma dieta planejada, baixa ingestão de calorias e períodos prolongados sem comer. Ele também mantém musculação seis vezes por semana e exercícios cardiovasculares duas vezes por dia.
A rotina inclui acompanhamento com médicos gastroenterologista e cardiologista, além de exames periódicos de sangue e imagem. Corbucci afirma que essas medidas reduzem, mas não eliminam, os riscos, e recomenda que a prática não seja realizada sem acompanhamento médico, especialmente com frequência.
Consequências de comer rapidamente
A ingestão de grandes volumes em pouco tempo pode provocar distensão e desconforto abdominal, sensação de estômago muito cheio, náuseas, refluxo e vômitos. Em disputas com limite de tempo, também há risco de engasgo, dificuldade para respirar e obstrução das vias aéreas.
A nutricionista Manuela Dolinsky, presidente do Conselho Federal de Nutrição (CFN), afirma que a capacidade de expansão do estômago não deve ser vista como autorização para testar os limites do organismo. A intensidade dos sintomas depende do volume consumido, da velocidade da ingestão e das condições de saúde de cada pessoa.
Para quem não está preparado, a orientação é respeitar as necessidades individuais, identificar os sinais de fome e saciedade e comer com atenção. A nutricionista também manifesta preocupação com a exposição a esse tipo de conteúdo.








