A ansiedade relacionada ao período eleitoral pode ultrapassar a preocupação esperada com as decisões do país e interferir no sono, no trabalho, nos estudos, nos relacionamentos e nas tarefas do dia a dia. Para a psicóloga Flávia Marsola, do Hospital Brasília Águas Claras, o principal critério é avaliar o impacto da apreensão na rotina.
“Clinicamente, olhamos principalmente para intensidade, frequência, duração e prejuízo funcional”, afirma. Ela explica que a ansiedade prepara o organismo para reagir a ameaças, mas pode se tornar um transtorno quando mantém a pessoa presa à tentativa de prever ou controlar situações que não dependem dela.
O efeito da exposição contínua
Estudos de psicologia política e comportamento social relacionam a exposição crônica a cenários considerados ameaçadores ou fora de controle a um estresse persistente. Nesse processo, o corpo libera cortisol e adrenalina por tempo prolongado, o que pode resultar em insônia, fadiga e dificuldade de concentração.
Discursos inflamados, dúvidas sobre o futuro socioeconômico e o recebimento constante de notificações contribuem para transformar o ambiente político em fonte de ansiedade e esgotamento psicológico. Em contextos polarizados, o debate pode ocupar de forma excessiva os pensamentos e a rotina.
O sociólogo Fábio Gentile, professor de Sociologia na Universidade Federal do Ceará (UFC), relaciona o clima de hostilidade à crise na mediação democrática tradicional e ao avanço da personalização do poder. Para ele, a desinformação alimenta a incerteza e oferece respostas simplificadas para problemas complexos.
Gentile também afirma que o hiperpartidarismo e a redução da análise crítica enfraquecem a confiança nas instituições e prejudicam a convivência social, além de afastarem as novas gerações de uma participação política saudável.
Limites para o consumo de informação
Algoritmos e plataformas digitais podem reforçar a hipervigilância ao ampliar a exposição a conteúdos semelhantes e a conflitos. Entre as estratégias para reduzir o impacto estão estabelecer horários para consultar notícias em fontes checadas e definir limites em discussões sociais.
Interromper uma discussão sem resultado na família ou no trabalho, segundo Flávia Marsola, não significa abandonar o debate. É uma forma de preservar os vínculos e a saúde mental sem permitir que o ambiente eleitoral controle o bem-estar.








