Um estudo com mais de 43 mil mulheres com diabetes expostas a agonistas do GLP-1 não encontrou aumento de malformações congênitas ou de outras complicações importantes da gravidez. A análise foi apresentada no Congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes, em Milão, e publicada na revista The Lancet Obstetrics, Gynaecology & Women’s Health.
Os pesquisadores reuniram sete estudos sobre medicamentos que imitam um hormônio produzido pelo intestino, ajudam a controlar a glicose e reduzem o apetite. A semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, é um dos medicamentos mais conhecidos dessa classe.
Em seis dos sete estudos, a exposição ocorreu no primeiro trimestre da gestação, muitas vezes antes de a mulher descobrir que estava grávida. Não houve aumento de parto prematuro, pré-eclâmpsia ou outras formas de hipertensão na gravidez, cesarianas, bebês pequenos para a idade gestacional, natimortos ou mortes de recém-nascidos.
A perda gestacional precoce, porém, foi 31% mais frequente entre as mulheres expostas. Esse resultado veio de apenas dois estudos. O maior deles, responsável por 99% das participantes, agrupou abortos espontâneos e interrupções voluntárias da gravidez. Por isso, não é possível determinar quanto do aumento está relacionado a perdas naturais ou a decisões tomadas por medo de danos ao bebê.
Recomendação para a vida reprodutiva
Com base nos dados, 42 especialistas de vários países, após ouvir também 60 mulheres com diabetes, elaboraram um consenso internacional sobre o uso desses medicamentos ao longo da vida reprodutiva.
A recomendação é suspender as canetas antes de uma gravidez planejada. Os medicamentos podem ajudar no controle da glicose e, quando necessário, na redução do peso antes da gestação, especialmente em mulheres com diabetes tipo 2. Ao mesmo tempo, a glicemia descontrolada no início da gravidez é um fator de risco conhecido para malformações e complicações.
Os autores ressaltam que as conclusões são baseadas em estudos observacionais e na opinião de especialistas, e não em ensaios clínicos específicos para essa finalidade. Quase todas as participantes tinham diabetes tipo 2. Para mulheres com diabetes tipo 1 ou histórico de diabetes gestacional, há pouca evidência direta.
Também existem poucas informações sobre o uso no segundo e no terceiro trimestres e durante o pós-parto. As versões injetáveis parecem passar para o leite materno em quantidades desprezíveis ou indetectáveis, mas ainda faltam dados sobre a segurança para bebês amamentados, principalmente no caso da versão oral. Também não há dados separados para cada medicamento da classe.
Mulheres que desejam engravidar devem conversar com o médico antes de interromper ou manter o tratamento. Para quem engravidou durante o uso, os dados disponíveis não apontam aumento de malformações. A orientação descrita é suspender o medicamento e iniciar o acompanhamento pré-natal o quanto antes.








