A queda do desejo sexual merece avaliação quando persiste, representa uma mudança importante em relação ao padrão habitual ou causa sofrimento. Dor durante as relações, secura vaginal, alterações menstruais importantes e mudanças intensas de humor também são sinais que devem ser investigados.
A libido pode variar naturalmente ao longo do ciclo menstrual. Algumas mulheres percebem mais interesse perto da ovulação; outras notam mudanças discretas, diferentes ou nenhuma alteração significativa. A ginecologista Grazielly Teles, especialista em saúde integral da mulher, afirma que “a libido feminina não precisa ser constante para ser saudável”.
O ciclo começa no primeiro dia da menstruação. Nessa fase, cólicas, dor de cabeça, cansaço e outros desconfortos podem reduzir temporariamente a vontade de fazer sexo. Para algumas mulheres, porém, o desejo permanece ou até aumenta.
Na fase folicular, que vai até a ovulação, o organismo prepara um folículo ovariano para liberar um óvulo, com estímulo do hormônio folículo-estimulante, o FSH. O aumento do estrogênio pode estar associado a mais disposição, bem-estar e interesse sexual.
Quando a ovulação se aproxima, mudanças nos níveis de estrogênio, testosterona e hormônio luteinizante, o LH, podem favorecer o aumento do desejo. Também podem surgir maior umidade vaginal e o muco cervical do período fértil, semelhante à clara de ovo. Essa tendência não é uma regra para todas as mulheres.
Após a liberação do óvulo, começa a fase lútea, marcada por maior produção de progesterona. Nos dias anteriores à menstruação, podem aparecer inchaço, sensibilidade nas mamas, alterações de humor, cansaço, mudanças no sono, oleosidade da pele e acne. Esses fatores, além da ação hormonal, podem reduzir o interesse sexual.
Fatores além dos hormônios
Estresse, qualidade do sono, sobrecarga mental, saúde física e emocional, relacionamento, imagem corporal, dor durante as relações, gravidez, pós-parto, amamentação e medicamentos também influenciam a libido.
Segundo o ginecologista e obstetra Alexandre Pupo, membro do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês, a ciclicidade do organismo é afetada por questões externas, internas, psicológicas e físicas. O desejo também pode surgir durante a interação, a partir de conexão emocional, intimidade, toque e estimulação — o chamado desejo responsivo.
Como referência diagnóstica, transtornos relacionados ao interesse e à excitação sexual consideram sintomas presentes por aproximadamente seis meses e acompanhados de sofrimento significativo. Ainda assim, não é necessário esperar esse período para buscar ajuda. Sangramentos muito abundantes, coágulos grandes, cólicas persistentes e alterações graves de humor antes da menstruação também justificam avaliação médica.








