Fechar portas e janelas nos períodos de pior qualidade do ar é uma das principais medidas para reduzir a entrada de fumaça das queimadas em casa. A recomendação vale especialmente para os cômodos mais usados pela família. Também é preciso evitar fontes internas de poluição, como cigarro, velas, incensos e produtos com cheiro forte.
A orientação é da médica alergista e imunologista Brianna Nicoletti. Ela recomenda limpar os ambientes com pano úmido, para impedir que a poeira depositada volte a circular. Bacias de água, toalhas úmidas e umidificadores podem aliviar o desconforto causado pelo ar seco nas mucosas dos olhos e do nariz, mas não retiram os poluentes do ambiente. O uso excessivo de umidade, sem limpeza frequente dos aparelhos, pode favorecer fungos e ácaros.
Purificadores com filtro HEPA (High Efficiency Particulate Air) conseguem reter uma fração expressiva do material particulado. Para isso, precisam ser adequados ao tamanho do cômodo e passar por manutenção regular.
Proteção ao sair
Quando não for possível evitar o deslocamento, máscaras de pano ou cirúrgicas não oferecem proteção suficiente contra partículas finas. Respiradores PFF2 ou N95, ajustados corretamente ao rosto, filtram melhor esse material. Segundo o pneumologista Marcelo Macchione, falhas nas laterais permitem a passagem do ar sem filtragem. Esses equipamentos, porém, não retêm todos os gases tóxicos; por isso, a permanência em áreas contaminadas deve ser evitada.
Exercícios ao ar livre devem ser suspensos durante episódios de qualidade inadequada do ar. A hiperventilação aumenta o volume de poluentes inalado. A lavagem nasal com solução salina pode remover resíduos da mucosa, mas não impede que as partículas alcancem regiões profundas dos pulmões.
Quem precisa de mais cuidado
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças cardiovasculares ou respiratórias crônicas, como asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), são mais vulneráveis. Nas crianças, características do aparelho respiratório e a maior frequência ventilatória proporcional aumentam a absorção de poluentes por quilo de massa corporal. Nos idosos, a menor reserva funcional dos órgãos pode acelerar descompensações clínicas.
A fumaça resulta da queima de cobertura vegetal e materiais orgânicos durante a estiagem. O material particulado fino, especialmente o PM2,5, pode ultrapassar o trato respiratório superior, chegar aos alvéolos e alcançar a corrente sanguínea, desencadeando processos inflamatórios sistêmicos.
“Para reduzir a inalação de partículas finas, respiradores do tipo PFF2 ou N95, quando bem ajustados ao rosto, oferecem proteção muito superior à das máscaras cirúrgicas”, afirma Macchione.
Falta de ar progressiva, chiado no peito, dor torácica ou alteração no nível de consciência exigem atendimento médico imediato, principalmente quando não há resposta à medicação de resgate prescrita.








